domingo, 11 de janeiro de 2015

Um problema das arábias

Nicolás Maduro, o exponente maior do socialismo ornitológico, está na Arábia Saudita, acompanhado de uma catrefa de ministros, para negociações. Deve estar a tentar fazer o reino da casa de Saud baixar a produção de petróleo. A Arábia Saudita não deve estar muito interessada em fazê-lo: manter o petróleo em baixo por mais uns tempos irá colocar na falência os produtores de gás de xisto e de gás natural que inundaram o mercado com produtos sucedâneos do petróleo extraído das profundezas da terra. A Arábia saudita tem um break even de USD 30,00 por barril. A Rússia necessita de EUR 105,00 para equilibrar o orçamento federal.

Ora, poderíamos dizer que a queda dos preços do petróleo irá fazer cair a Rússia. Não o creiam. Tudo leva a crer que a Rússia sairá mais forte desta crise. O produto interno bruto da Rússia anda por volta dos 2 biliões de dólares (escala longa) ou dois triliões na escala curta do economês. As importações proibidas pelas sanções e contra-sanções são, imagine-se, 9 mil milhões de euros. Sim, uma gota naquilo que se produz na Rússia. Nikolai Feodorov calcula que o custo de colocar a agricultura russa a par das necessidades básicas do país seja pelos 4 mil milhões de dólares. Há muita terra na Rússia que pode ser cultivada, e a produtividade da agricultura russa por área cultivada é muito baixa em relação ao Ocidente.

Os russos são retratados na imprensa ocidental como atrasados e dependentes da benevolência do Ocidente. Nada mais falso. São um povo inteligente e que, no fim do comunismo, se resolveu recristianizar. Putin, no início um dos oligarcas desprezíveis que venderam a Rússia, está neste momento a encetar reformas que a modernizam e recristianizam. Os russos serão na segunda metade desta década um dos pólos de um mundo multipolar, onde os Estados Unidos serão relegados à incapacidade de manter a sua liderança, graças às políticas e às asneiras da administração Obama. Obamacare desmoraliza empresas, a dívida começa a pesar nos cidadãos e os subsídios dizem aos trabalhadores que não vale a pena trabalhar. Uma sociedade assim constituída não dura. A terra da liberdade, a quem o Ocidente muito deve, não é mais a terra dos livres. O fim do império americano vem com um estoiro, e vem em breve.

E a Europa? Ou muda de lado e se remoraliza, ou vai de frosques com os Estados Unidos. Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem serás.