terça-feira, 30 de dezembro de 2014

É preciso mesmo a guerra?

Trégua de Natal em 1914: confraternização de soldados ingleses e alemães

Em 1914, no Natal, os soldados baixaram as armas, saíram das trincheiras e confraternizaram. Caladas as armas, trocaram prisioneiros, e até chegaram a comer juntos e a jogar futebol. No dia 26 a trégua continuou. No dia 27, os soldados foram obrigados a voltar às trincheiras e a rearmar-se, sob as críticas severas dos oficiais superiores.

Se as armas se tivessem calado de vez, a Primeira Guerra Mundial teria acabado ali, poupando milhões de vidas. Vítimas mortais da guerra, vítimas de fome e dos racionamentos ou vítimas de ferimentos e de amputações que roubaram o resto da vida.

A decisão de fazer a guerra pode ser dos líderes, mas os povos é que as travam. O Bernardino Machado mandava lutar os outros, mas ficou sempre no conforto dos palácios de Lisboa. Se os povos recusarem o ódio, e os soldados baixarem as armas, as guerras cessam. E se os líderes querem lutar, pois que lutem uns com os outros diretamente. Sem que eu e os meus sejam englobados.

É isto que Ron Paul tem a dizer sobre esta trégua, neste artigo, que vale a pena ler.

Ron Paul, uma das figuras de proa do movimento libertário
A mensagem encorajadora que deveríamos retirar da trégua de Natal de há cem anos atrás é que, dada a oportunidade, a maioria dos humanos não se querem matar uns aos outros. O líder nazi Hermann Goering disse durante os julgamentos de Nuremberga: «Naturalmente, as pessoas comuns não querem guerra; nem na Rússia nem na Inglaterra nem na América, ou já que se fala nisso nem na Alemanha.» Mas juntou o seguinte: «o povo pode ser sempre levado à vontade dos léderes. Isso é simples. O que se tem de dizer é que eles estão a ser atacados e denuncia-se os pacifistas por falta de patriotismo e por expor o país ao perigo. Funciona da mesma maneira em qualquer país.»

Cuidado com 2015. Vendo a imprensa portuguesa, parece que Putin é o diabo. Vendo a imprensa russa, somos o mafarrico. Talvez fosse tempo de os nossos jornalistas (nossos e dos russos) começarem a contar a verdade que existe, e não a que lhes ditam. E se é verdade que a Rússia está a ser provocada à guerra por nós, deveríamos primeiramente desconfiar de tudo o que nos sussurram ao ouvido através de uma imprensa manietada.