sexta-feira, 12 de junho de 2015

É gratuito demais para se comprar!



Quando nos dão alguma coisa de graça, desconfia-se do negócio.


Image result for eu cartoonA única coisa boa que a União Europeia trouxe em trinta anos de adesão foi o comércio livre e o fim das fronteiras. Por uns meses trabalhei enquanto jovem num despachante oficial e sei o que era necessário antes para importar/exportar de Espanha, mesmo ali ao lado.  Uma carrada de burrocracia s taxas e taxinhas sem sentido.

Os subsídios foram a pior parte do negócio. Digo isto sem problemas, mesmo sabendo que vou ter umas bocas abertas de incredulidade da parte dos meus leitores.  Os subsídios distorceram a nossa economia, tornando-a desnecessariamente ineficiente.  Foram um mau negócio.  E embora não possa elencar todas as razões para essa provocação indico algumas:
  • Desconstrução civil e obras impúdicas a 10% do PIB.
  • Parques não-industriais comprados a 1 escudo por metro quadrado pelos amigos do despresidente da câmara e posto à venda nessa mesma tarde a cem vezes mais em imobiliárias.
  • Rotundas e rotundinhas, com a ubíqua desculpa de que se tem de aproveitar os fundos comunitários.  Nalgumas há estátuas de mau gosto da autoria da prima da vizinha do irmão do presidente de câmara.
  • Centros de congresso, auditórios e salas, invariavelmente subutilizadas (para usar o enfermismo eufemístico).  E sempre nomeadas in causa propria e em nome próprio pelo despresidente de câmara ou de junta de freguesia que aproveitou os tais fundos comunitários.
  • Estradas de nenhures para lado nenhum, porque se tinha de aproveitar os fundos comunitários e apenas por isso.
  • Formação não-ministrada, desadequada ou simplesmente fraudulenta, porque se tinha de aproveitar os fundos comunitários, sendo que formar a mão de obra não era um objetivo.  Ou isso ou falhou rotundamente.
  • Um hospital concreto com uma máquina de TAC de cento e cinquental mil contos que existiu e eu vi e cheguei a tentar arrancar, comprada porque havia que aproveitar fundos comunitários, e encaixotada porque não havia no momento fundos disponíveis para levar uma pessoa em formação à Alemanha (mil e quinhentos contos no total).
  • Legislação tão estúpida que faz dó, exarada pelos incumbentes para se proteger dos insurgentes.  É por isso que continuamos a ter quatro canais de televisão em sinal aberto e que certas empresas fecham ou fogem de Portugal.
Mas o pior de tudo nem é o precedente.  Isso teremos de pagar no futuro, mas podemos não repetir.  O pior da nossa subsidiodependência é o que se segue:
  1. Crescimento desmesurado do Estado, que estamos a pagar todos os anos em défice;
  2. Crescimento desmesurado da dívida, por causa da comparticipação nacional.  Que estamos a pagar e pagaremos no futuro até ao tempo dos nossos netos;
  3. (E esta eu conheço bem) Emperresários que não perguntam «há mercado?» mas «há subsídios?».  E que não fazem investimento algum, por mais pertinente que seja, se não houver «subsídios» [repare que ninguém lhe chama «apoios»].  Mesmo que sejam maus investimentos, fazem-se, desde que haja subsídios para eles, e muitas empresas foram ao charco por isso.
  4. Não há crédito bancário para empresários que não tenham apoios europeus.  Os apoios servem, na prática, para os bancos minorarem as perdas de liquidação da empresa em caso de falha.  É claro que assim só arrancam empresas para as quais há subsídios disponíveis, mesmo se sem mercados e condenadas a falhar.
  5. E, pior que tudo, demasiado dinheiro nas mãos de políticos para distribuir pelos programas que os seus financiadores e amigos sugerem.
Balanço da nossa integração: Claramente positivo.  O comércio livre desenvolveu o nosso país como nunca na sua história.  Caminho a seguir e a explorar com outros países, mesmo se à revelia da União Europeia --- por exemplo, fazendo um tratado informal com a Rússia, a Índia e a China à la acordo de cavalheiros.

Correcções a fazer: diga-se a Bruxelas que subsidie ou apoie outras economias, recusando o presente envenenado.  E troque-se os ditos apoios por quota zero, para nao apoiar mais o Parrelamento Ôropeu e as viagens de turismo em executiva dos nossos turbopolíticos.

Um veneno que se nos dá de graça ainda assim é um veneno.