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A Europa espicaça o urso. O urso afia as garras.

Enquanto andamos a discutir sanções à Rússia e mesmo a entrar em conflito aberto com ela, a Rússia prepara-se para uma guerra que não deseja. Em 2015 gastará 3,3 mil milhões de rublos em armamento (mais ou menos 40 milhões de euros ao câmbio atual) de companhias russas. Se o valor parece pequeno, repare-se que a Rússia já está bem equipada em armamento nuclear (no que esmaga o Ocidente), e em cavalaria (tanques e veículos blindados). Aposto que parte das compras é a modernização da vetusta AK-74 (a modernização da Kalashnikov) para a mais moderna AK-103, onde esta ainda não fizer parte do kit. Isso e também blindagem pessoal.

Fuzil de assalto AK-103, a nova incantação da Kalashnikov

Continuo a dizer isto: mais vale termos a Rússia do nosso lado. Disputo os clamores de tirania em relação a Putin. Nunca os russos foram tão livres. Nem no tempo do Craz o foram. Se a Rússia está longe de ser uma democracia perfeita, caminha pouco a pouco nessa direção. Nós, o Ocidente, é que caminhamos na inversa. Ambos os lados têm propaganda. A Rússia não está isenta disso. O Ocidente, e eu vivo cá, tem-na bem pior.

A guerra, em boa verdade, já começou. É uma guerra que os Estados Unidos sabem que vão perder. Uma guerra económica, pela supremacia financeira. A Rússia está prudentemente a comprar ouro, e pode estar a preparar-se para padronizar o rublo ao ouro. O monstruoso orçamento aprovado recentemente nos Estados Unidos (afectuosamente chamado Cromnibus) torna impossível a remissão da dívida estadunidense. O dólar está sob fogo. E se Clinton criou uma guerra na Europa, na Bósnia, para tramar o Euro que nascia e divertir as atenções do vestido azul da menina Lewinski, também o correligionário Obama criará uma guerra para acabar com a ameaça russo-chinesa ao poderoso dólar.

Roteiro dos próximos meses: mais uns escândalos sobre Juncker nos próximos meses. Depois direi mais. O Mundo está imprevisível a doze semanas, dependente dos caprichos de alguns e dos medos dos que neles mandam. Uma coisa sei: a Rússia emergirá mais forte do que antes. Quem quer a paz prepara a guerra, e quem se prepara dorme descansado.

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