sábado, 30 de maio de 2015

Et tu, Observador?

O jornal eletrónico Observador começou há alguns anos atrás, e para mim foi uma esperança.  Foi.  Percebi que pouco a pouco resvalava para o jornalismo escarralhado do Publico ou do Diário de Notícias.  Hoje já desesperei.  Não há lugar a publicações liberais em Portugal que não acabem de esquerda.

Paraíso utópico ou sanguessuga?
Anteontem o Observador publicou um artigo: A cidade perfeita fica aqui mesmo ao lado. Mas será mesmo perfeita?  Li-o tarde.  Ao que posso deter das páginas de comentários, houve dois textos, um original e outro corrigido.  O original deve ter sido muito diferente da correção, visto que suscitou um comentário de Diogo Pacheco de Amorim, no dia seguinte à da publicação original do artigo, constante na página deste.

O que acho espantoso é que um jornal com as responsabilidades do Observador tenha feito o texto que fez ontem, antes de ser hoje corrigido. Ter vendido aquele inferno de Marinaleda como um paraíso não lembrava a ninguém. Mesmo admitindo que o autor não conhecia a história e os verdadeiros factos dessa vilória oprimida, como pode alguém que sabe ler e escrever acreditar naquilo que aqui se encontrava ontem tão apologeticamente apresentado?
 Ana Vieira Pinto, no mesmo dia, aludiu também a essa correção:

Ah bom. O Observador finalmente fez a mais que necessária actualização da informação da notícia.
Um jornal que se diria conservador nunca publicaria um monte de mentiras utópico-vermilhóides sem antes torcer o nariz e perguntar-se o que está na base de tanto sucesso (pista: dívidas acumuladas pelo município, subvenções constantes da Junta da Andaluzia, roubos a supermercados em terras vizinhas e, alas, um acordo com a Venezuela de Chávez, que desconfio nunca tenha sido pago por este nem pelo Maduro).

Reações


A blogosfera não ficou indiferente.  No blogue Blasfémias publicou Vítor Cunha o artigo Marinaleda, Hotel California, uma excelente crítica à notícia do Observador.  N'O Insurgente, André Azeredo Alves publicou Marinaleda: história de uma mentira, apontando diretamente ao artigo nos blogues do El Confidencial, de Javier Caraballo, Si España fuera Marinaleda. Historia de una mentira.  Citando desse artigo:

Si España fuera Marinaleda, qué bonito sería… salvo que todo ese sueño que ahora se ha vuelto a agitar tras el asalto a los supermercados es, sencillamente, una farsa sostenida desde hace treinta años gracias a las subvenciones públicas.

Não há notícias na verdade nem verdade nas notícias


Um provérbio soviético brincava com os nomes dos principais jornais da União, o Pravda (verdade) e o Izvestia (notícias).  Dizia ele que não há Pravda (verdade) no Izvestia (notícias) nem Izvestia no Pravda.  Como é que o Observador, um jornal formalmente conservador, deixou publicar esta fábula asinina e mentirosa?

Das três uma, ou o Observador:

  • Diz-se de direita, mas gostaria de ser de esquerda, tal como o CDS e o PSD;
  • Contratou um estagiário vindo das nossas escolas de jornaleirismo (grafia intencional!), ainda com a esfrega da escola do Pravda lusa, um verdadeiro imbecil, portanto. e não tem revisores de textos que leiam os artigos que estes imbecis publicam.
  • Está a ser capturado hostilmente por infiltrados comunistas e bloquistas, como o resto da mérdia (grafia intencional!) portuguesa.

No fundo, ou o Observador está a ser capturado hostilmente ou então está a pravdizar-se (palavra intencional), dando a verdade do Partido.  As moscas apanham-se com mel e há quem pense que os conservadores podem tornar-se tolerantes ao esquerdeirismo, a única ideologia auto-considerada decente, mau grado nunca ter redundado senão em miséria e grilheta.

Mas então, e Marinaleda?


Marinaleda é a regra que confirma não haver exceções.   O comunismo assume autossuficiência.  Marinaleda é tudo menos auto-suficiente: acumulou dívidas de milhões de euros (atente-se que apenas em eletricidade deve 800.000).

Um artigo em El Blog Salmón, ¿Es exportable el modelo Marinaleda?, de 2012, diz claramente:

A lo que íbamos, que el camarada Sánchez Gordillo es un subversivo, un antisistema tremendo, o eso dice él. Claro que para ser un antisistema uno se queda un tanto ojiplático viendo los presupuestos del 2011 del Macondo marxista andaluz:
  • De los 4,2 millones de ingresos presupuestados, 3,3 son subvenciones. Más de un 78% de su presupuesto esta subvencionado por otras Administraciones.
  • El 36,19% de su presupuesto se va para gastos de personal, un 31% en subvenciones varias, y sólo un 17% en inversiones reales.
El Marinaleda way of life, se sustenta, por tanto, en un municipio absolutamente subsidiado por el resto de Administraciones, o lo que es lo mismo, por el resto de españoles y europeos. Alguno dirá que es común en los ayuntamientos españoles (habría que ver hasta que punto nuestros alcaldes se han cargado de competencias impropias), pero me temo que no en esos porcentajes. Y si no, echadle un vistazo a esta comparativa entre ayuntamientos teniendo en cuenta el número de vecinos.

De Marinaleda, la utopía subvencionada de un Sánchez Gordillo que gana unos 5.000 euros al mes:

El modelo Marinaleda no se puede replicar en España, puesto que el país necesitaría recibir subvenciones del extranjero por un valor aproximado del 70% del gasto de las Administraciones, aunque es dudoso que Merkel esté dispuesta a enviarnos 327.900 millones de euros (el gasto total de las Administraciones en España es más del 43% del PIB y de aproximadamente 470.000 millones de euros).

Marinaleda sólo recauda un 32% de lo que gasta. El resto, hasta los 4,3 millones de euros de su presupuesto municipal lo recibe en subvenciones del SEPES (Servicio Público de Empleo Estatal, por el PER), de la Junta de Andalucía (la mayor parte y que casi todos los años están entre 1 y 2 millones de euros) y la Diputación Provincial de Sevilla. La succión de dinero público es una habilidad de Sánchez Gordillo para mantener su pueblo como la utopía que es, eso sí, poniendo el dinero otros en su mayor parte.

De Marinaleda - Deuda viva del Ayuntamiento a 31/12/2012:



As ao menos não há desemprego em Marinaleda


Parece que há, ao contrário do que disse o Observador.  De El paro baja un 12.90 % durante ABRIL ( 2015 ) en MARINALEDA:

Desemprego em Marinaleda, de 2008 a 2015

O que podemos aprender disto?



É fácil governar quando há dinheiro dos outros, através de subvenções e de dívidas.  Este é o modelo da escola económica Galamba-Costa-Sócrates, que a estes dias serão propostos ao Prémio Nobel da Prodigalidade.

Nota: o filho pródigo acabou a chafurdar com os porcos, e teve de ser salvo uma vez mais pelo paizinho rico.

Quanto ao Observador, se em menos de 20 minutos pude chegar a todos esses dados, execro desde já esse jornal.  Para Pravda em Portugal bastam-me todos os outros.

É tempo de haver um jornal verdadeiramente conservador e liberal em Portugal, sem complexos de querer ser de esquerda.  Estou disposto a contribuir com artigos, pelo menos bem investigados.