sexta-feira, 29 de maio de 2015

A carraça adora o cão, mas não é correspondida





Será que esta Costa não aprende?

O Costa aposta na falta de memória dos portugueses. Pensa ter feito uma aposta certa. Os portugueses estão sequiosos de quem lhes prometa um destino grandioso.  Estão dispostos a ser enganados, pensa ele.  E lá está a carraça a aproveitar a oportunidade.

O Passos Coelho podia ter dado nova forma ao Estado (é isso que está na base da palavra reformar). Mas não reformou. O Estado continua o mesmo gordo, com a mesma forma carraçal, e é o maior parasita em terras portuguesas. E longe de ter sido refreado, quer entrar em tudo: nas nossas vidas, na casa, e, como relatei anteriormente, até na horta.

O Partido Socialista é responsável por mais de 100% da nossa dívida. Parece um contrassenso, mas temos de nos lembrar que, segundo as séries, nos tempos de Cavaco Silva e de Durão Barroso pagámos dívida em vez de a contrair.  A dívida pública é PS, tem chancela PS e dá um novo sentido à espécie que tem sede no Largo do Rato.

A verdade é esta: com o Costa perderemos o resto da nossa liberdade, aquela que ainda restar depois dos consulados Sócrates e Coelho (ou Assunção Cristas). É bom lembrar isto: para uma carraça, o cão foi feito por Deus para o benefício supremo da carracidade. Para um socialista, um cidadão, levado à sua mínima expressão de contribuinte, existe apenas para manter o socialista no poder e lhe encher o tacho de pitança.Se o caro leitor não for socialista apitançado será dos que terá de disponibilizar a pitança.

O que fez António Costa fora da política? E já agora, o que tem ele a mostrar dentro da política? Buracos nas estradas, bailout do Estado Central, conúbios suspeitos com empresas de construção civil, tarifas municipais sobre o consumo de água em flecha e, quando tudo o resto falha, até quem passa por Lisboa tem que pagar taxa.

O que quer o Costa fazer pelo país? Bom, quer baixar a TSU, mas não se compromete. Promete não subir impostos, mas não se compromete. Quer devolver os subsídios aos destrabalhadores da função pública, mas não se compromete, já começando a abrir vias de incumprimento. Aclama o estudo dos ditos sábios (este fim de semana irei incensar esse tal estudo sonso!), mas afinal não é a Bíblia. Logo, não se compromete.

Compromete-se a navegar contra o FMI (mas só naquilo que o FMI também esteja de acordo, senão leva uma negaça de empréstimo que o levará a holandizar-se como fez o Renzi, o Hollande e o Tsipras está em vias de fazer). Compromete-se a restaurar o orgulho nacional. Compromete-se a não deixar cair o setor da construção — porque será?  Compromete-se a governar para as pessoas.  Alguém me diz o que é «restaurar orgulho nacional», «navegar contra o FMI», «governar para as pessoas»?  Isso come-se ou é um bibelô?
No fundo, Costa compromete-se a não se comprometer em qualquer coisa que seja concreta e a não concretizar qualquer coisa que seja abstrata, abstraindo-se de tudo o que seja compromisso. De chavão em chavão, lá nos vai dizendo a verdade, e essa é que nem bom para mentir ele é.

Alguém vai mesmo votar nessa carraça?

Costa e aquela abébia mal-falante do Sampaio da Nóvoa estão um para o outro.  Cheios de chavões e de retórica redonda, comprometem-se em nada e prometem tudo.

Eu adorava fazer uma entrevista ao António Costa.  Ficava em aposta como acabaria e em quanto tempo: até que ele 1) saísse em pânico, 2) fingisse indignação ou 3) desatasse em choro.