sábado, 30 de maio de 2015

Estes sábios socialistas sabem-nas todas!

Aviso ao leitor

Este artigo contém contas simples e de bom senso. Não é por isso aconselhável para qualquer militante, votante ou simpatizante do Partido Socialista.  A exposição à realidade é conhecida por danificar mortalmente o socialismo!
Em caso de exposição à realidade contactar a Linha do Centro de Emergência da Alienação Socialista pelo telefone 21 382 20 00.

O PeiÉsse não sabe fazer contas.  Por contraparte, acha que nós também não sabemos fazer.  O PeiÉsse mandou fazer um relatório que afinal não é a Bíblia.  Do qual se diz, seguindo esta notícia no Negócios Online (Mário Centeno: "Mexidas nas taxas contributivas criam cerca de 45 mil postos de trabalho"):

1) «A redução em quatro pontos da taxa social única (TSU) paga pelos trabalhadores e noutros quatro pontos da taxa suportada pelas empresas deverá criar um pouco menos que 45 mil empregos.»

Ficamos com os números 45000, que afinal até é em quatro anos.

2) Descida da TSU para o empregador em 4%.

O embate da galambice


Façamos contas:

Segundo o Relatório e Contas do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, 2013, o mais recente que consigo encontrar, no ano de 2013 a Segurança Social arrecadou 13.043.702.474,91€, nos quais estão incluídos 152.840.824,01€ de contribuição extraordinária, a qual o PS quer terminar.  [pp 34-35]  As contribuições serão calculadas, portanto, sem considerar a dita taxa, e amontam a 12890861650,90.  Reservemos o número 12.801 milhões de euros.

Segundo o INE, a população empregada no ano de 2013 (Estatísticas do Emprego no 2º Trimestre de 2013) foi 4,506 milhões de pessoas.  Sem a estatística, a contribuição por pessoa empregada é 12801/4,506 = 2841 EUR.

A diminuição de 4% na taxa da segurança social numa taxa total de 34,75% implica uma diminuição das contribuições em 11,5%.  Os 12,801 milhões de euros serão transformados em 11,328 milhões de euros, ou 1,715 mil milhões de euros a menos do que se coletou em 2013.  Teremos, obviamente, de considerar a coleta com a taxa de sustentabilidade.

Resumo:

  • 1,732 mil milhões de euros a menos na Segurança Social em contribuições.

O impacte do pathos socialista


Vamos imaginar que até se criam os 45,000 empregos em quatro anos.  Vamos fingir que até se criam num ano (coisa que será natural se o Costa não atingir o poder).  Assumimos que os novos empregos terão os rendimentos dos atuais, coisa que até nem se tem verificado.

A EUR 2841 de contribuição por trabalhador, o impacte positivo será 127,845 milhões de euros.  Em Outubro de 2013 o Económico dizia que Subsídio de desemprego médio é de 354 euros.  Multiplicando por 45,000 que os deixariam de receber, poupam-se 15,5 milhões de euros.

Resumo:
  • 128 milhões de euros em novas contribuições
  • 16 milhões de euros em menos subsídio de desemprego

E em carcanheuros, quanto é que ganhamos?


Não ganhamos.  Nem dá para fazer um gráfico, devido às escalas serem tão díspares.  Com as medidas PS perderemos 1,588 milhões de euros, quase 1% do PIB.  Que teria de ser compensado por outros lados.

Para compensar com IRC, a taxa teria de ser aumentada em 1,5%, o que acabaria por destruir mais emprego do que o ganho pela redução da TSU.

Resumo:
  • 1500 milhões de euros de contribuições perdidos
  • Sábios de pergaminhos em coiro de burro e cabeça a condizer

Sábios do PS na apresentação do documento.