quarta-feira, 27 de maio de 2015

Guerra e Paz ou Paz para Guerra?

A campanha «dá uma razão à Rússia para te atacar» está em cheio.  Num tempo em que é preciso acalmar e andar em pezinhos de lã nestas lides militares e diplomáticas, a NATO faz um exercício com 115 aviões e uma data de navios junto à fronteira russa, na Suécia.

John Schindler é um estratega e um ex-NSA (agência de espiolhagem interna dos Estados Unidos).  Num twitter que fez muito espalhafato no dia 20 de Abril, confessou ter recebido um coup de bouche de um oficial senior da Nato:


Vou perguntar: se é verdade que estão convencidos que vai haver guerra no Verão, porque é que dão razões à Rússia para a fazer?  Porquê esta provocação?  Eu tenho uma resposta e não é agradável: a economia necessita de uma guerra urgente para esconder o colapso mais que certo do sistema financeiro.
De qualquer forma, não estou convencido de que a guerra se inicie este ano.  Penso que se iniciará em 2016, depois de um ano que se espera recorde de trigo na Rússia ter deixado o país com reservas alimentares suficientes para aguentar um ano de bloqueio económico.  E não creio que será na Europa que se iniciará a guerra, mas num outro lado do Mundo, ainda no Hemisfério Norte.

A imprensa chinesa mais nacionalista escreveu preto no branco que a guerra é inevitável se os Estados Unidos continuarem a espiolhar os recifes artificiais que estão a ser feitos pelos chineses para reclamar território marítimo do Vietname e das Filipinas.  Os chineses cobrem recifes de coral com milhares de toneladas de areia, formando ilhas (e destruindo os recifes, é claro).  Como a da imagem seguinte, nas ilhas Spratly, reclamadas pelo Vietname, outro país comunista.

A marinha chinesa tem afastado os navios de outras nações destas ilhas artificiais com canhões de água (até agora não se sabe de ter havido fogo real), e tem ameaçado os aviões dos Estados Unidos com retaliações.  As ilhas estão a cerca de 1000 Km das bases terrestres das forças armadas chinesas mais próximas, e ao alcance do novo caça, o Chengdu J 20.
O J-20 é um caça de 5ª geração, supostamente invisível ao radar e com capacidade de luta anti-navio.  É a nova aposta das forças armadas chinesas.


Além do J20, existe o Shenyang J31, o qual veio à luz no ano passado.  Ainda está em protótipo, ao que se sabe.

Shenyang J-31 (F60) at the 2014 Zhuhai Air Show.jpg

Ora, falando do que existe, nem há muitos J-20 fabricados nem se conhece com precisão a sua operacionalidade em teatros de guerra, já que nunca foram experimentados.  A China está ainda a um ano de poder fazer alguma mossa na marinha americana, cheia de porta-aviões, e é isso que me leva a crer que apenas teremos guerra no próximo ano, e lá para o meio no melhor dos casos.

Qual é o país que terá de ser neutralizado para que a China possa deslocar as suas forças para o Sudeste sem que possa ser atacada pelo Nordeste?  Se disseram Rússia estão enganados.  É o Irão.  E então ali começará a próxima guerra, mas apenas depois de a Síria ter sido neutralizada.  A Síria pode atacar Israel, e antes de que o Irão seja atacado, terá de se remover Assad do poder.
A Síria é a chave, o Irão o pavio, a China o barril de pólvora e a Rússia o seguro de vida da China.  Girem a chave, o barril explodirá, e a Rússia terá capacidade de não atacar a Europa (sim, é mesmo isto!) até que seja vista como libertadora.  A III Guerra não começará até que Assad esteja fora do poder.