quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Somos contra os ricos ou contra os pobres?

Um político pode proibir a riqueza por decreto. Essa será a lei mais eficaz que existe. No processo criará milhões de pobres, e os ricos ou se tornarão pobres ou emigrarão. É um dos mais ubíquos frutos do socialismo, essa fantástica capacidade de reduzir sociedades bastadas à miséria e à escassez.

Pode proibir-se a pobreza por decreto, mas não criará nenhum rico por isso. Os ricos criam-se virtuosamente quando as pessoas podem gozar os frutos do seu trabalho, e desonestamente quando se lhes dá justificações para espoliar os frutos do trabalho alheio. Políticos e mafiosos (repito-me, eu sei!) vivem do trabalho alheio. Uns justificam o seu latrocínio pela força das armas e outros pela força das armas e das moralíssimas leis. Um bom político vale o seu peso em ouro. Um mau político aproveitar-se-á disso para colocar o bom e denso político em baixo de água. A lei de Gresham da política é esta. A lei de Colaço das eleições livreiras é a seguinte:

Uma má escolha política é como uma malagueta. Custa a engolir e faz arder o traseiro no dia seguinte.

Meus caros leitores, prefiro desigualdade na bastança que igualdade na miséria. O problema do nosso capitalismo é não ser capitalismo. É de todos os jornais, escritos e televisivos, abrirem com notícias de política, porque a política interessa mais do que deveria interessar. É de ter as sedes de todas as grandes empresas alapadas ao orçamento do Estado em Lisboa, porque é lá que está o poder, e é lá que se esgravata algum favor. É ter quinhentos mil funcionários públicos a lustrar cadeiras num diâmetro de cinco quilómetros, imagine-se onde.

No meio deste crapulalismo ainda não achei lugar para o capitalismo.

E na Suécia suicidam-se aos mil.

Eu não sou contra os ricos. Um rico, quando enriquece virtuosamente, por trabalho honesto, levará muitos outros à riqueza: trabalhadores, agentes, pessoas com quem negoceia ou de cujos bens e serviços consome na sua vida particular. Um rico deve ser estimado, conquanto tenha acedido à riqueza sem se fazer alapado ao Estado.

Eu sou contra os pobres. Tanto que não os quero. Prefiro que enriqueçam. Gostaria que os 10% mais pobres da nossa sociedade conseguissem ter segurança alimentar, pagar a sua casa, ter meios de comunicação e um automóvel. Seriam ainda os 10% mais pobres da população, mas estariam tão bem como a classe média de hoje. Só conheço um modo de o fazer: permitir que negoceiem livremente, no modo de vida que lhes aprouver, desde que honesto, sem que nada lhes seja dado. Subsídios perpetuam pobres, porque dão a impressão que se pode viver com pouco fazendo nada.

E quem pode viver com pouco fazendo nada porque viveria com pouco mais tendo que trabalhar para isso?

E na Finlândia também se suicidam aos mil.