segunda-feira, 2 de março de 2015

Não há qualquer coisa que cheira mal?

Acham que o Sr. Putin, que se deu a tanto trabalho para assassinar Litvinenko (um desertor do FSB) com Polónio 210, iria mesmo matar o Sr. Nemtsov a sangue frio, à vista do Kremlin?

Cheira, como diz nem mais nem menos que Mikhail Gorbachev, que não é exactamente um aliado de Vladimir Putin, a uma provocação. Em boas palavras, a uma acção do Ocidente, para elevar o nível de confrontação e começar de uma vez a guerra. Eu estou com Gorbachev nesta.

Putin pode ser o que quiserem, santo ou besta, democrata ou ditador, causa da guerra ou pacificador. Contudo, acho que ninguém o acha um imbecil. Ele não iria matar Nemtsov, quando, mais a mais, Nemtsov está envolvido em casos obscuros de corrupção de quando foi governador de Nizhny Novgorod. Uma pessoa dessas tem mais valor vivo que morto. Morto é mártir, vivo coze-se em lume brando. Morto fala alto, vivo ignora-se.

Quando alguém faz alguma coisa deste tipo, é só seguir a pergunta: a quem é que isto beneficia? Segue-se o dinheiro, chega-se ao culpado.

Atente-se que mais jornalistas incómodos morrem nos Estados Unidos de causas hetero-suicidárias, como desastres de automóvel ou ataques coronários sem testemunha, do que na Rússia. Só este ano foram três nos Estados Unidos de Obama. Sim, e faço a diferença: Obama não é Reagan. Reagan defendeu a liberdade, e é bem amado na Rússia. Obama traz o Ocidente para a ditadura, e nós, Ocidente, deveríamos colocá-lo a falar sozinho.

Podemos falar melhor com a Rússia. Sem a Europa a acossá-la, a mando dos Estados Unidos da República Obamesca, a Rússia não terá um discurso defensivo. Que tal começar, sei lá, por salvar a face de todos começando por unilateralmente suspender todas as sanções, esperando que a Rússia responda da mesma maneira? E ver onde isso nos leva?

Quando em dúvida sobre a Rússia, Gorbatchev tem sempre razão.