quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Desta vez o ditador afia as garras.

Barack Obama pede um mandato para atacar a Isis e todos os seus associados.

Com um pormenor do tamanho de uma baleia azul:

The new statute would authorize military action against Islamic State and its associated forces, which are defined in the text as organizations fighting alongside the jihadists and engaged in active hostilities. This means the president would be free to attack groups such as the al-Nusra Front or Iraqi Baathist elements who have partnered with the Islamic terrorists in Syria or Iraq. There are no geographic limitations, so the administration would be free to expand the war to other countries.
Obama's War Authorization Limits Ground Forces

Pois, o mandato não tem uma circunscrição geográfica. A muito conveniente Isis dá ao emperresidente a capacidade de começar guerra em qualquer lugar fora da fronteira dos Estados Unidos, segundo uma justificação — ou desculpa — tão vaga quanto as justificações técnicas para a imprescindibilidade da décima sétima ligação Lisboa-Porto por ciclovia portajada.

Ai esses terríveis jihadistas que vão entrar pela Ucrânia adentro! Bora lá prá Ucrânia combater a Isis.

A Rússia não é inocente na guerra da Ucrânia. Os Estados Unidos são os mais culpados. Os Estados Unidos estão a alimentar esta guerra porque querem apear o Putin — e isso foi aliás dito claramente por fontes não oficiais mas credíveis e é repetido pelos comentadeiros de serviço dos demono-cratas das estações americanas. A Rússia não quer a guerra, e já mostrou que pode brincar com os sistemas dos aliados, deixando o USS Donald Cook à mercê de um MIG que, pelo menos desta vez, apenas fazia evoluções e treinos sobre ele.

A Rússia tem tropas na Ucrânia, os Estados Unidos têm a Blackwater (hoje Akademi). Durante algum tempo considerava-se a Rússia a fonte de todos os males. Mas a situação está a mudar dentro da Ucrânia e mesmo na Europa. A Europa já começa a perceber que a política dos Estados Unidos é apear o Putin numa revolução que não se espera senão de cor vermelha. Porque será? Será assim porque o Partido Democrata vem trabalhando com o Partido-Comunista USA, ou aliás, foi capturado por ele? Repare-se que o candidato do PC-USA foi Obama em 2008 e 2012 em aclamação, o que pode ser visto no sítio deles.

O que quer a administração proto-comunista Obama é restaurar a União Soviética e sovietizar os Estados Unidos, terminando com as liberdades individuais. Um ainda está por fazer, o último está bem avançado. O comunismo não tem dogma: é um projeto de tomada e manutenção eterna do poder nas mãos dos caudilhos, sem possibilidade de revolta ou de substituição. Acham mesmo que se os cubanos pudessem escolher os seus líderes sem o controlo da imprensa e o medo da polícia secreta não punham os irmãos Castro numa balsa para Miami (para depois a metralharem em alto mar, como fazia o Castro aos balseros nos anos 70 e 80)?

Próximos capítulos

A política dos Estados Unidos vai cansar a Chanceler Merkel (a única líder proeminente desta choldra com neurónios operantes) e o Presidente Hollande (um dos outros líderes, que mal pensa ao pensar que pensa). Ambos irão fazer paz separada com o putin e não irão aceitar que os ucranianos sejam armados. Os Estados Unidos e a Inglaterra já andam a discordar e armarão, quer se queira, quer se não queira, e sem dar cavaco a ninguém.

Não creio que a guerra europeia comece na Ucrânia (estão muitos olhos sobre ela), mas num outro caldeirão, mais mediterrânico — não a Grécia. Preciso de mais dados para o analisar, e antes que me arme em parvo a dizer coisas sem nexo, aqui me calo.

Contudo, penso que o primeiro rufar de tambores será nos lugares do Sol Nascente, onde as tensões se cortam à faca e os indicadores económicos estão a deixar almofadas húmidas a muitos vermilhóides. E quando falta o pão começa o circo.

Se tivéssemos alguém que justificasse o seu ordenado na chancelaria, que deveríamos fazer?

Perguntar à Rússia se:

  • Nos aceita como observadores na União Euroasiática, aceitando o livre comércio e a simplificação ou eliminação de vistos.
  • Aceita a troca de parques industriais para empresas portuguesas lá e russas cá.
  • Aceita o levantamento de sanções em relação aos produtos portugueses ou provenientes de Portugal, em troca do levantamento de Portugal de todas as sanções em relação aos produtos e serviços e transferências de capitais russos.*

*A palavra Entreposto seria tão bom para o nosso PIB!