sábado, 6 de setembro de 2014

Como não mudar um país

A intervenção no mundo islâmico foi uma boa ideia, estupidamente executada. Tudo corria bem até ao momento em que resolveram desbandar o exército iraquiano (na II guerra do Iraque). Quando ouvi isso do Donald Rumsfeld, lembro-me de ter levado a mão à cabeça e de ter dito: «puseram tudo a perder».

Um exército inimigo não se desbanda, absorve-se. Um soldado adversário não se aliena, abraça-se. Apaziguando o ódio, a ele se dá uma alternativa melhor.

Mais valia terem dado formação profissional a todos os soldados iraquianos, encarreirando-os para a vida civil. As empresas saídas da guerra necessitam de engenheiros, mecânicos, eletricistas, planeadores e contabilistas. E agradeceriam de bom grado os iraquianos que fossem formados nas melhores práticas ocidentais em vez de terem de os formar elas. Ademais, os soldados, munidos do soldo durante a formação, ficariam mais que agradecidos aos novos poderes: sairiam da vida militar para um posto bem pago na vida civil. Melhorariam de vida. Seriam por isso a reserva moral da nova democracia. Em vez disso, viram-se despedidos do exército, com treino militar e sem modo de sustentar as famílias. E ódio no coração

Lamento dizer, mas no Ocidente apenas pecamos por otimismo antropológico, uma ideia muitíssimo cara à esquerda socialista. Esta é a nossa perdição, esta é a nossa fraqueza, esta é explorada pelos nossos inimigos. Quanto a este Ocidente, aspirante a tirania, não o quero. Não me revejo nele. Mil vezes Vladimir Putin à União Europeia (se alguém pensar para além do preconceito estabelecido, perceberá porque digo eu isto).

Como disse, a Rússia parece querer evitar a guerra, mas prepara-se para ela. Confiado na supremacia do Ocidente, o Ocidente parece querer forçar a guerra, sem perceber bem quais são as suas forças e as do adversário, caminhando para a desgraça.