quinta-feira, 19 de junho de 2014

Tempos interessantes aproximam-se

Sergei Glaziev, um dos conselheiros económicos de Vladimir Putin

Glaziev pôs em claro a única maneira como os Estados Unidos podem ser derrotados em três tempos. Recentemente escrevi aquilo que a Gazprom iniciou ao negociar em euros e em rublos os novos contratos. Glaziev, que é um dos proponentes da União Euroasiática, uma espécie de União Soviética sem comunismo, está cheio de razão. A maneira de parar com as bobamanias que os Estados Unidos andam a realizar por todo o Mundo é atacar onde dói mais. Na carteira.

Mais de 80% dos dólares que andam em circulação estão fora dos Estados Unidos. Se a Rússia conseguir que vários países façam as suas transações em moeda local, então os dólares serão inúteis, senão para comprar bens e serviços nos Estados Unidos. Um dólar actual valeria por cinco a dez dólares futuros. Milhões e milhões de investidores estariam dispostos a livrar-se dos dólares.

Todos os caminhos estão na Ucrânia. Como disse e escrevi, a Rússia não vai atacar a Ucrânia abertamente. Seria contra os seus interesses. A China vai começar uma guerra no Extremo Oriente. A China precisa dessa guerra. A Rússia não. A Rússia tem superavite. A Rússia tem uma mais ou menos boa união da opinião pública em torno de Putin. A Rússia não tem o sistema bancário tão exposto a alumínio evaporado e a um castelo de mentiras como a China. Quem quer a guerra na Ucrânia são os Estados Unidos, particularizando aí a fação de Obama. Para poder dizer que o mal da economia americana é a guerra.

Sorte nossa, Putin é uma ordem de grandeza mais inteligente que qualquer democrata americano. Sabe a quem apelar nos Estados Unidos. Sabe da fragilidade do presidente americano. É alvo da admiração de muitos americanos, que o prefeririam como seu líder à récua que está no controlo da Casa Branca. Porque, santa paciência!, há limites à idiotice — ninguém pode ser tão idiota sem acabar por o parecer, e a administração americana não deixa margem para dúvidas.

Eu estou muito ambivalente em relação à Rússia. Sei que aRússia de hoje é democrática. Se na Rússia a oposição é aborrecida, o que se dirá nos Estados Unidos, onde as finanças (IRS) anda a auditar vezes sem conta quem fale contra o Obama? Onde a policia está a ser militarizada?

O problema é apenas saber a resposta a isto: será que a Rússia está a voltar ao comunismo ou existe um esforço sincero do país em harmonizar os valores cristãos com os princípios democráticos? Se é esta última Rússia, eu aplaudo-a. Se é a primeira, já bastam os Estados Unidos, o paraíso último dos marxistas.

Os próximos meses serão esclarecedores.