quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Cuidado com o que desejam. Vai concretizar-se.

O russo é um das línguas que leio e escrevo (paradoxalmente, nunca tive oportunidade de o falar, por isso não sei se a lingua se me enrolará). Posso ler na Rússia imprensa alinhada contra o Putin, o que o desqualifica como ditador. Assim como no Ocidente há imprensa contra a situação, e consideramos isso um dos qualificadores da democracia. Se há democracia aqui por causa dessa imprensa, teremos forçosamente de a considerar na Rússia actual.

Agora, repare-se que a Rússia está cercada, a ocidente, por países da Nato. Mais de 200 tanques Abrams M1 estão a ser colocados enquanto falamos nas repúblicas bálticas (aliás, 50 já lá estão). Isso não seria um problema, se a Rússia não estivesse a ser espicaçada para a guerra. Se há coisa que a Rússia, com o poderio que tem (2550 tanques pesados no activo e 12500 na reserva, seja o que isso for) poderia fazer agora é fazer uma guerra e ganhá-la, principalmente se fosse de surpresa. Como bem deve saber, um russo não ameaça nem anuncia o que vai fazer. Faz e pronto!

Os russos são tudo menos parvos. Foram humilhados pelo Ocidente desde 1991 e considerados inferiores, quase sub-humanos. Basta ver como são retratados nos filmes americanos: mafiosos, trapalhões, ébrios, ignorantes, com tecnologia que não funciona e é tratada a martelo. Não serão esses exageros e estereótipos na nossa propaganda?

Se eu fosse russo, estaria furibundo. Os russos são sumamente inteligentes, mas não querem dispensar o seu lugar justo no Mundo. Estão, pouco a pouco, a fazer o caminho para a liberdade e para a prosperidade, sem copiar no processo os vícios do Ocidente. Vícios esses que nos irão dizimar em poucos anos, enquanto a Rússia finalmente ficará com o lugar que merece no Planeta, sem o atavio do comunismo nem a peste do amoralismo ocidental.

Putin não quer a guerra. Se a quisesse, já os tanques teriam passado as fronteiras ocidentais da Polónia. Obviamente, está a ter muita contenção, mas está a preparar-se para ela seguindo o manual de estratégia militar que eles usam (já falei dele aqui, no Remoques). A paciência esgota-se, os mastins serão eventualmente soltos, e não criticarei a Rússia quando meter o Obama e o seu amigo barra apaniguado barra idiota Juncker na ordem.

Quanto à situação na Ucrânia, mercenários de um lado e do outro andam a espicaçar os locais. Quem responderá a isto?

  • Quando é que o russo será considerado língua oficial na Ucrânia?
  • Porque é que [disseram-me ontem e não pude confirmar] Poroshenko suspendeu os tratados internacionais no leste da Ucrânia — palavras dele. Referir-se-á à Convenção de Genebra?

Erros crassos de uma pessoa que não tem nada de burro como Poroshenko? Estranho. Será uma provocação mais para se fazer a guerra?

Se não nos livrarmos da União Europeia, nesta configuração maximalista e pervasiva, a União Europeia livrar-se-á do peso que é a nossa liberdade.