sábado, 4 de janeiro de 2014

Segundo o China Times, Xi Jinping, o presidente do partido comunista chinês e o líder da Comissão Militar Central, pede às forças armadas que se preparem para a guerra. Não acredito que a guerra estale este ano, pois as forças armadas chinesas são ainda incapazes de enfrentar todos os seus inimigos externos de uma vez só. Tal como o Paraguai em 1870 ficou reduzido a metade da sua população, depois de ser invadido simultaneamente pelo Brasil, pela Argentina e pelo Uruguai, a China sabe que a Rússia, as Filipinas, o Japão, a Índia, Taiwan, o Vietname e a Índia podem, num ataque simultâneo, obrigá-la a dispersar as suas forças e esmagá-la.

A China não peca por ser burra. É paciente. Sabe que a sua ameaça não vem de fora. Vem de dentro, do próprio povo chinês. Muitos chineses estão profundamente descontentes com o centralismo de Pequim, e querem mais autonomia. E zonas francas. E liberdade. O Partido Comunista Chinês sabe disso. Há manifestações diárias por liberdade e contra os abusos de oficiais do Partido na China. O caldeirão não vai explodir, mas um inimigo externo pode unir os chineses em torno do seu próprio algoz.

O apelo à preparação paraa guerra mostra uma china frágil. Este ano vai ser pródigo em surpresas, e não será de todo de excluir algumas escaramuças navais ou aéreas nas Sensaku ou nas Paracel. Não creio que uma guerra convencional seja algo que vejamos este ano. Os Estados Unidos ainda estão fortes, muito embora o Obama esteja a tornar o que era forte fraco em menos de uma década. Como o Guterres e o Sócrates em Portugal.