sexta-feira, 11 de julho de 2014

A Rússia tem de se livrar de Dugin

Alexandre Dugin, o teórico da Eurásia

A Rússia tem de se ver livre de Dugin. Dugin não é mais que um marxista, um dos perfeitos idiotas que querem a União soviética de volta. Claro que União Soviética ninguém de bom senso quer ver ressuscitada. E por isso, para consumo externo e interno não se chamaria ao novo bloco União Soviétca, mas Bloco Euroasiático.

O euroasianismo, doutrina que diz que a Rússia é culturalmente distinta da Europa, e que se aproxima mais da Ásia. É uma espécie de pan-eslavismo radical, tomado até à borda do puro racismo. O euroasianismo é uma idiotice. A Rússia é Europa. Não se completa a Europa sem a Rússia. A Europa é o continente dos contrastes culturais e linguísticos. Um português não é um alemão nem um polaco. Um francês não é um finlandês. Um russo é tão europeu como um inglês. Há culturalmente Europa em Moscovo e em Vladivostok, esta última para lá da Península da Coreia. Um Chucha ou um Tártaro podem ser euroasiáticos quanto quiserem. Um russo é claramente um europeu.

Serguei Lavrov, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa por contraste não é idiota nenhum. Pelo contrário, é uma das pessoas que mais merece respeito e admiração no Mundo. Lavrov fez um tweet uma vez dizendo que quando a rússia se meteu nos assuntos europeus, promoveu sempre a paz. No inícioesbocei um esgar de troça. Mas a memória histórica veio-me uma vez mais. Fora o século XX, sob os esbirros comunistas, a Rússia sempre foi um fator de estabilidade em toda a Europa. Lavrov tem razão. Desde Pedro, o Grande, que a Rússia se aproxima da Europa. Poucos imperadores haverá como Pedro, o Grande. Estudar a sua história é edificante.

E isto leva-me ao ponto seguinte: se é verdade que a Rússia (fora o período soviético) foi sempre um fator de estabilidade na Europa, e uma parte querida da Europa, Lavrov olvidou uma verdade que tornaria o seu comentário ainda mais pertinente. Esta verdade é a seguinte: sempre que a Rússia se aproximou da Europa, a Rússia beneficiou em liberdade, em riqueza e na sua reputação. Quando se isolou empobreceu, embruteceu e, não me apraz dizer, tornou-se o inimigo de estimação de todo o mundo livre.

A Rússia está para a Europa como a rémora para o tubarão. O tubarão não passa bem sem rémoras que lhe limpem os dentes. As rémoras beneficiam da sua interacção com o tubarão, sendo alimentadas. Ambos podem passar sem o outro, mas beneficiam de estar juntos. Dugin e a sua pandilha são escorpiões que se montam num sapo. Mm dia, como conta Esopo nas suas fábulas, espetarão o ferrão. É a sua natureza: a traição está-lhes no sangue. Comunista que é comunista, ou euroasianista que é euroasianista, não descansará enquanto todo o Mundo não estiver de grilhetas, empobrecido às suas ordens, obrigado a sustentá-los.

A Europa não é Europa sem Rússia. A Rússia nunca será Rússia sem ser parte da Europa. Dugin prefere que os russos estejam em grilhetas, sentindo-se inferiores ao resto do Mundo, desde que a sua pandilha mande e faça mandar. Mais cedo ou mais tarde, esses esbirros vão atraiçoar Putin e capturar a Rússia. Uma nova intentona como a de 1991.

Quando isso acontecer, os que hoje imprecam Putin (em boa maioria com críticas injustas) irão soltar lágrimas de saudade.