sexta-feira, 13 de junho de 2014

A Rússia Abandona o Dólar. Consequências?

Recursos conhecidos de gás natural na Rússia. A ser pagos em euros.

A Gazprom assinou dez contratos com vários países de fornecimento de gás. Oito são em euros, um em rublos (este com a Bielorśsia). Apenas um cliente, não especificado, insistiu assinar em dólares.

Os bancos russos e chineses estão a fazer o mesmo.

Richard D. Porter e Ruth A. Judson publicaram um trabalho, que está no sítio da Federal Reserve, onde dizem que em 1995 cerca de 4/5 das notas de dólar circulavam fora dos Estados Unidos. Avisam também que essa proporção tem vindo a aumentar. Ora, o dólar circula fora dos Estados Unidos porque 1) e uma denominação de reserva quando as moedas locais são instáveis e 2) porque é a moeda de referência para as trocas internacionais.

Imaginemos um cenário onde as nações começam a trocar bens e serviços entre si noutras denominações, por exemplo em euros. Os dólares neste cenário apenas serviriam para trocar bens e serviços com os Estados Unidos. Mas neste cenário toda a gente teria muitos dólares no bolso e os Estados Unidos têm, como todas as nações, uma economia limitada. Logo, a capacidade de comprar bens e serviços em dólar apenas para os Estados Unidos ou para um grupo pequeno de nações que ainda adiram ao dólar.

É difícil dizer o que aconteceria? As pessoas, para se livrarem dos dólares, estariam dispostas a dar mais dólares por cada unidade de valor de bens ou serviços. Um filme que agora custa USD 15,00 poderia ser vendido por USD 50,00, logo que o dólar se desvalorizasse. Isso seria bom para a economia americana? Sim, apenas no início e apenas até que a desvalorização do dólar começasse a ser absorvida internamente. Numa economia desta escala, toma cerca de 18 meses, como mostram as séries japonesas e americanas dos anos 70 e 80.

Se os Estados Unidos fossem auto-suficientes em energia e em alimentação, o mal seria nenhum. Como Portugal, não o são totalmente. Os Estados Unidos podem passar sem trigo do exterior, mas não sem petróleo. O qual estará nas mãos dos russos.

Pensava aquela administração decerebrada que as sanções contra a Rússia a fariam ficar de joelhos? Não conhecem os russos.

Note-se que a fuga de capitais da Rússia e da China é um problema, o qual terá de ser abordado pelas autoridades dos dois países para prejuízo da Europa, onde os capitais, muitas vezes ilegalmente desviados, são aplicados. Não podemos aí andar a dar vistos dourados sem que isso, mais cedo ou mais tarde, nos rebente na cara.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Ramadão e MERS

Haaj em Meca, na Kaaba. Note-se que são tantos e tão juntos.

O ramadão está aí às portas e na Arábia Saudita anda à solta um vírus com mortalidade acima de 40%, o MERS, o Síndrome Respiratório do Médio Oriente. Este vírus está relacionado com o Síndrome Respiratório Grave-Agudo, o SARS, que anda a atacar pelos lados da Ásia. Ao contrário do SARS, que possui uma mortalidade inferior a 10%, o MERS tem-na acima de 40%, e o número de infeções não deixa de ser revisto em alta. Além disso o MERS pode ser propagado de mais maneiras que o SARS. Pode ser propagado por insetos, como pulgas e mosquitos.

O Haaj (ou hajj) é a peregrinação que todos os muçulmanos têm de fazer pelo menos uma vez na vida para o ritual de Umrah. Neste ritual, os peregrinos fazem juntos sete jornadas entre Safaa e Marwah. Estes eregrinos vêm de todo o Mundo e voltarão para os seus lugares de residência. Vendo que os habitantes de 6% da França e de 30% da cidade de Bruxelas são muçulmanos, os nossos serviços de saúde têm razão para estar em pânico.

Há cinco anos, em 2009, o Irão, por causa da incidência da gripe suína entre os peregrinos, baniu as viagens a Meca. Talvez venha a fazê-lo também este ano. Entretanto na Europa, com a invasão islâmica das últimas décadas, não pecamos em exagerar nos cuidados com que pretendamos monitorizar esta ameaça.

terça-feira, 10 de junho de 2014

A China tem nova tabela periódica...

... onde o alumínio e o cobre se evaporam à temperatura ambiente.

Veja-se:

Para aqueles que acham que o Irão é um pacífico...

Talvez seja melhor lerem a opinião de um tal Nikolai Makarov, que é nem mais nem menos o Chefe do Estado Maior das forças armadas russas.

Estamos cientes de que muitos países que nunca admitiram ter um arsenal nuclear o têm na realidade. (...) Não tenho dúvidas que se as armas nucleares caírem nas mãos de extremistas, isso irá comprometer a segurança mundial, e portanto qualquer cenário é possível se certos países adquirirem capacidades nucleares.


Realizámos uma avaliação com os nossos homólogos americanos, que concluiu que esta ameaça é realista. O próprio facto de que nós concordámos em realizar um escudo anti-míssil conjunto implica que reconhecemos que a ameaça é real.

A pérola vem a seguir.

Vamos lidar com este problema juntos, vamos tomar uma iniciativa conjunta para nos livrarmos das ameaças potenciais, não apenas para os países europeus, mas também para a Rússia, porque a Rússia é parte da Europa.

Gostaria de que aqueles que dizem mal da Rússia pensassem nisto: qual é o bloco onde a democracia mais é posta em causa? Não é a Rússia.

O próximo testemunho é de John Nyquist, que encontrarão no seu sítio.

Como um antigo membro do parlamento britânico disse ao alcance do meu ouvido: «Reagan e Tatcher salvaram o Ocidente do socialismo.» Um antigo coronel do GRU (serviços de inteligência externa russos), que se sentava no outro lado da mesa, segredou-me ao ouvido: «Mas a América é o paraíso do marxismo.»

Pensem o que quiserem. Limito-me a apresentar factos, os mesmos que a nossa imprensa persiste em ignorar.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

As preparações chinesas para a guerra continuam

Neste momento, as autoridades chinesas estão a transformar auto-estradas em pistas de aviação (uma pelo menos na província de Henan já o foi) com o propósito expresso de treinar aterragens de emergência em tempo de guerra.

Ainda bem que a imprensa portuguesa é vigilante.

Quanto às motivações da China para entrar em guerra, estou ambivalente. De uma coisa estou certo: o povo chinês merece a democracia e um lugar mais preponderante no Mundo. Se o Partido Comunista Chinês permitir a abertura a outros partidos, a China terá finalmente o lugar que merece neste planeta.

Há dois tipos de político

Aquele que é capaz de nada e aquele que é capaz de tudo.

É evidente de que tipo é o Seguro e de que tipo é o Costa.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Leis que fazem bem a uns poucos funcionários e muitos outros têm de pagar é a igualdade em Portugal

Justiça em casa causa própria não é justa

As leis são construções humanas. Até as leis da física são construções humanas que tentam explicar a realidade. Uma pedra não sabe que deve cair a 9,81 m.s-2 menos a força de resistência do ar, dada por Cx.At.v2. Um electrão não sabe que deve virar quando um campo magnético se lhe apresenta. Maxwell soube-o, e sabemos o que um campo magnético ou um electrão. O electrão não sabe. As leis e os conceitos da física são feitos pelos homens para explicar a natureza e prever fenómenos naturais.

Assim como as leis da física são construções humanas, racionais e lógicas, que tentam explicar a natureza, as leis humanas são construções humanas, por vezes racionais e raramente lógicas, que almejam ordenar a sociedade, constrangendo os limites de acção dos seus membros. Boas leis tornam a vida mais fácil para todos, muito embora aqui e ali tenhamos individualmente barreiras às nossas acções. Sacrificamos isso pelo bem comum. A lei só é boa se a generalidade das pessoas ficar melhor devido à sua aplicação.

Se uma lei criada por homens tem resultados perversos para a generalidade das pessoas quando aplicada, a lei está errada e é estúpida. Por sinal pode, através da acção desses mesmos homens, ser revogada e deitada para o oblívio. Para o mesmo caixote do lixo para onde deveriam ir quase todas as leis. Se se anda a discutir a possível acção perversa do Tribunal Desconstrucional na economia e no emprego, isso é mesmo um sinal claro de que a justiça manda que os juízes ganhem o seu sal com outras coisas.

Diga um juiz do Tribunal Constitucional a um desempregado que o seu emprego se foi porque o patrão dele não pôde continuar a empresa onde este trabalhava. E não pôde porque a pressão fiscal o obrigou a fechar portas, pressão essa provinda da insaciedade constante dos desfuncionais impúdicos (funcionários públicos, para quem não tiver percebido) e dos emperresários neo-socratino-desenvolvimentistas alapados ao Orçamento de Estado. Diga-lho o Senhô Dotô Juiz nos olhos; diga-lhe que a lei é que é boa e que o desemprego dele é afinal uma irrelevância consequente da aplicação da boníssima lei. Diga-lhe que o princípio da igualdade é para meter as pessoas no desemprego quando convém a outras pessoas, que querem conservar o seu tacho, e que mandam aplicar a lei. Diga-lhe que é dura a lei, mas a lei, enquanto enche os seus próprios bolsos. Pior, diga isso sem se rir.

Se o dissesse à minha frente, teria visto como eu de boamente aplaudiria o desempregado que, à força da lei física da conservação do momento linear, reduzisse o número dos dentes que tem na boca a qualquer número entre dois e cinco.