sexta-feira, 23 de maio de 2014

Vladimir Putin Caesar, ou atravessar o Rubicão.

Júlio Putin ou Vladimir César?

Muito se tem falado de Vladimir Putin. Putin não é nenhum diabo, nem certamente nenhum monstro. Bem piores são os europeus e a União Europeia. Dito isto, também não é nenhum salvador da Europa. Porque não quer. E, se tentasse, falharia em sê-lo.

Nos dias que correm-se em Moscovo, fala-se muito da Terceira Roma. A Terceira Roma, identificada nos Contos dos Príncipes Vladimor (Сказание о князьях Владимирских), uma obra literária do início do Sec. XVI, escrita por monges búlgaros expulsos pelo invasor Otomano, e que procuraram refúgio nas terras de Moscóvia (nesses dias ainda não se falava propriamente em Rússia como hoje).

Nesse livro, identifica-se Moscóvia (o grão-ducado, não a cidade) como a terceira capital do Império Romano, depois de Roma e de Constantinopla. Dizem os monges que a primeira e a segunda Roma caíram, mas não haverá quarta. à boa maneira do tempo, inventaram um tal Prus, sobrinho do Imperador Augusto, a quem teria sido dado o Norte do Mundo, chamado Prússia. Aquilo que se chamou a transferência do Império (transferio imperii).

A história, claramente apócrifa, conquistou o imaginário dos moscovitas. Este papel escatológico de Moscovo, juntamente com a propaganda anti-ocidental que por lá corre nestes dias, prepara a opinião pública para a guerra. O livro Estratégia Militar Soviética, de Sokolovski, o texto clássico utilizado no ensino militar por aquelas bandas diz:

A vitoria na guerra é impensável sem a preparação atempada e cuidada do país e das forças armadas.
(E. M. S., cap. 7)

E, sobre a preparação, mais à frente no mesmo capítulo:

A preparação política da moral popular é de crucial importância (...) já que o uso de armas de destruição maciça numa guerra impõe custos inusitados e excecionalmente altos no moral político de uma população. (...) O ódio ao inimigo deverá excitar o desejo de destruir as forças armadas e o potencial militar-industrial do agressor, e de atingir a vitória completa numa guerra justa.

Querem conhecer Putin? Estudem César. César, ao invadir a Gália, estava numa guerra de defesa (ah! os malvados gauleses). Quando atravessou o Rubicão, já de Norte para Sul, fez tábua rasa da lei para salvar Roma. E foi aclamado pela populaça.

Quando Putin invade a Ucrânia (poupem-me as desculpas), está a defender russos. Quando a Rússia invadir a Europa, daqui a uns anos, estará a salvá-la de si mesma. [Bem precisa de ser salva, só espero que o salvador não seja pior que o que vai salvar. Não esperem de mim o papel de Vercingetórix ou de Carátaco. Não morro de amores pela União Europeia. Se a Rússia não for pior, e não parece ser no momento, bem vindos sejam!]

A partir destas eleições, prevejo que os escândalos que incidem sobre a burocracia europeia e sobre os parlamentares serão quase diários. Capítulo 7, Estratégia Militar Soviética.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Rússia e China com movimentos estranhos... a menos que se estejam a preparar para alguma coisa.

A Rússia e a China estão definitivamente a preparar alguma coisa. Estão freneticamente a comprar ouro e a desfazer-se dos dólares americanos — para comprar esse ouro. A China está também a comprar comida e petróleo. Parece-me uma reserva para uma futura guerra ou período de carestia.

Reservas da Rússia de dólares americanos
Reservas de ouro da Federação Russa em milhões de onças Troy. Note-se a subida atual.
Reservas de ouro da China. Note-se a subida até 2012. O movimento de compra de ouro entretanto voltou a disparar.

Não espero que jornal português algum fale disto. Estão muito importados com as asneiras do Seguro e as diatribes do Jerónimo e as burrices da Matias e as nulidades que são os candidatos todos ao Parlamento Europeu. Quem não quer ver hoje verá amanhã.

Termino com as palavras do ministro dos negócios estrangeiros da China:

A nova China nasce de sangue e fogo, e não é apenas sem medo de guerra mas corajosa a aceitar conflitos razoáveis e legais, porque defender a nossa pátria da agressão serve para acelerar o desenvolvimento do poder do Estado. A nação chinesa gosta da paz, mas há poucas dúvidas de que a glória tingida de sangue irá pavimentar a estrada da China rumo à revitalização. Esta é a glória que as gerações futuras irão apreciar.
Soem os alarmes para a preparação da guerra, refaçam-se as nossas convicções firmes, acorde o povo destemido e revivam-se as nossas indústrias estratégicas — o nosso país está a avançar e o nosso futuro é brilhante.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O melhor discurso de Ronald Reagan

Este discurso foi dado aos estudantes da Universidade de Moscovo em 1988. Fala de liberdade, de mercado livre e de primado das leis. Dessa liberdade que já teve melhores dias no Ocidente.

Precisamos de um Ronald Reagan agora. Acho, infelizmente, que o molde foi quebrado e que este é irrepetível.

Dito isto, acho que o Vladimir Putin deveria ver este discurso. Talvez voltasse a colocar a Rússia no caminho da liberdade que quase teve. Se há homem que o conseguiria se realmente o quisesse, é Vladimir Putin.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Porque é que em Portugal ninguém noticia isto?

Internautas chineses notam a deslocação de um grande volume de tropas e de blindados em direção à fronteira vietnamita.

As filas foram consideradas infindáveis pelos observadores. Forama vistadas em Chongzuo em direção a Pingxiang, na região de Guanxi, fronteira ao Vietname. Os soldados eram acompanhados, segundo os relatos, por tanques, veículos blindados, lança-mísseis e artilharia automontada.

A última guerra entre a China e o Vietname, iniciada em 1979, custou a vida a cerca de 10.000 civis vietnamitas.

Pergunta: porque é que não se fala nisto? A crise da Ucrânia está afastada por causa da possível vitória nas próximas presidenciais de um pró-ocidental que não desagrada aos russos. Como sempre disse, a verdadeira crise está no extremo oriente. Numa coisa errei: pensei que primeiro a China atacaria as Filipinas, dado que as relações entre o Vietname e a China eram excelentes até ao despoletar da crise.

domingo, 18 de maio de 2014

Portugal na corrida espacial! E a vencer!

Líderes socialistas.

Exmos Srs.,

SEGURO, António José
ZORRINHO, Carlos
GALAMBA, João

Ou altramente chamados «A Trindade da Asneira.

Soube recentemente das vossas quinze propostas, integradas nuns tais oitenta compromissos que Vas. Exas. intendem algum dia apresentar. Transcrevo tais propostas:

1) acabar com a TSU dos pensionistas
2) revogar os cortes no Complemento Solidário de Idosos
3) não despedir na função pública
4) lutar contra a fraude e a evasão fiscal
5) estabelecer um acordo de concertação estratégica
6) apresentar um plano de reindustrialização do país
7) criar uma estação oceânica internacional nos Açores
8) celebrar um pacto de emprego
9) não aumentar a carga fiscal
10) separar o público e o privado no Serviço Nacional de Saúde
11) reduzir para metade a taxa de abandono na escolaridade obrigatória
12) recusar o plafonamento das contribuições para a segurança social
13) procurar que, no quadro do Tratado Orçamental, o país chegue a um saldo estrutural de 0,5% do PIB
14) promover a reforma do Estado
15) lutar por uma nova agenda para a Europa

Fiquei siderado com a abrangência destas propostas, que me excuso a adjetivar. Devo por tal âmbito deixar um elogio a Vas. Exas. nesta missiva.

Gostaria de cumprimentar Vas. Exas. por haverem posto Portugal à frente da corrida espacial. Por estes dias já temos, graças aos vossos esforços, uma base lunar de conceção inteiramente lusa e plenamente funcional. Congratulamo-nos por serem Vas. Exas. os mais distintos portugueses a viver em permanência no mundo da Lua.

Esperamos agora que consigam minerar os anéis de Saturno para empenhar e pagar as vossas propostas. Temos a certeza, a dar o mínimo crédito às palavras de Vas. Exas., que arranjarão um modo de o fazer. Ficará assim Portugal além de qualquer outra nação conhecida em matérias lunáticas, tudo para vosso crédito.

Com os meus maiores respeitos,

Um português que ainda não parou de rir.

O espetáculo começou.

A China está a retirar os seus cidadãos do Vietname, depois de os motins anti-China por lá se terem tornado letais.

Após os motins, provocados pela decisão da China de colocar uma plataforma em águas reclamadas pelo Vietname, A China decidiu retirar os seus cidadãos de terras vietnamitas em dois aviões e três barcos. Aproximadamente 4000 pessoas estão a ser evacuadas. Há três dias atrás, havia já 21 mortos e 90 feridos resultantes das revoltas.

Em política o que parece não é. Eu penso que o ato chinês de invasão foi uma provocação pura e simples. Disseram-me que a zona em questão é pobre em hidrocarbonetos, e isso indicia que não estou errado. Se a China está a provocar uma revolta, pode ser um teste à reação do Ocidente, especialmente a dos Estados Unidos, e a da ASEAN (A Associação de Nações do Sudeste Asiático).

O Vietname não tem um acordo de defesa com os Estados Unidos. As Filipinas têm. Nas Ilhas Spratly, ocupadas correntemente pelas Filipinas, a China anda a construir o que parece ser uma pista de aviação militar. E enquanto no Ocidente andamos ocupados com a Ucrânia, a China vai esticando a corda. Sabe que, enquanto os russos mantiverem a atenção do Mundo e os parcos recursos militares que ainda nos restam a Ocidente, o Oriente é dela.

Por muito russófilo e sinófilo que eu seja, e sou-o, acho que a loucura das suas elites ai condenar aqueles povos à miséria. A menos que essas elites possam contar com a covardia do Ocidente ou que tenham forças militares muito mais fortes do que as do Ocidente. Espero que não se tornem estes países num novo Paraguai de 1864, que achou que poderia lutar contra tudo e todos, e que acabou sem 75% da sua população.

Sobre o Keynesianismo e os nossos Asno-Keynesianos Seguro e Galamba

A DEFESA POSSÍVEL DO KEYNESIANISMO

John Maynard Keynes (1883–1946), um dos mais célebres economistas do Sec XX.

O Keynes dizia o mesmo que José do Egipto havia dito há três mil e poucos anos atrás: que durante o tempo das vacas gordas do sonho do Faraó se deveria amealhar o suficiente para se poder equilibrar a economia nos tempos maus, ou de vacas magras.

O sonho do Faraó, interpretado por José do Egipto.

Convém saber a história do José do Egipto. Ao fazer o que fez ele salvou o Egipto da fome, mas no fim todos os egípcios ficaram servos do Faraó, comprados com o mesmo dinheiro que lhes havia sido extorquido nos tempos de abundância.

OS NOSSOS ASNO-KEYNESIANOS, QUE SE FICAM PELA METADE DA TEORIA

Os nossos trapalhões keynesianos, cujos inspiram novas palavras como galambice e segurice com significados que não lhes dão elogios, são cabalmente inábeis senão nas artes da torpeza e da suprema asinice. Esquecem-se ou preferem esquecer que o Estado tem de amealhar durante os tempos de abundância, mantendo superavites, segundo a própria teoria de Keynes. São meso-keynesianos (na metade que interessa aos empreiteiros e aos alapados ao Orçamento) ou asno-keynesianos. Tenho a certeza de que o Keynes não quereria ser associado ao Seguro e ao Galamba, caso estivesse vivo.

Os asno-keynesianos não salvam Portugal da fome, em tempo algum. Na verdade, mantêm Portugal na fome e na dívida, porque nos tempos das vacas gordas do sonho do Faraó dissipam o que vai nos armazéns reais e mantêm-nos tão vazios como os seus próprios talentos. E nos tempos de vacas magras exageram a receita, aumentando impostos para cobrir parte do que se gastou e indo buscar emprestado o que falta. Dívida permanente é por isso o resultado. Paga por todos, sem intervalos, deprime a economia.

Ao menos se tivessem a decência de entender Keynes antes de se fingirem keynesianos as coisas poderiam ser menos más. Mas os nossos asno-keynesianos são isso mesmo: asnos. Burros. Perfeitos acéfalos. Como as ondas do mar, que são levadas pelo vento de uma para outra parte.

É claro que, sabendo eu o que esta aplicação da teoria meso-keynesiana faz a Portugal e ao Mundo, prefiro Hayek.