terça-feira, 20 de agosto de 2013

Vêm aí as eleições autocráti^H^H^H autárquicas

Eleições autárquicas

Vejo em todos os lugares uma profusão de obras, de renovações, de betão. Ora é o jardim que está a ser arranjado, ora é o passeio que anda a ser renovado, ora a rotunda n.º 10203 está a sofrer a sua sexta renovação. As máquinas ouvem-se, alguns piropos a uma mulher mais jeitosa saem da boca dos trabalhadores, há pó no ar, e nós sentimo-nos aconchegados.

Aconchegados?

Pois é, não foi erro. Disse mesmo aconchegados. Agora sim, com tanto betão estamos certos de que existe um Estado. O Estado, segundo o que nos dizem, existe para cobrir o país de obras artificiais, com ou sem utilidade. Essa coisa de utilidade não interessa. O que interessa é haver pó no ar, barulho de máquinas e piropos a soar.

Há um problema: essas obras são feitas contra nós e com o nosso dinheiro

Contra nós? Mas as obras não são boas?

Depende. Há obras que são boas. A maior parte delas não. Que utilidade existe em se renovar uma rotunda perfeitamente funcional para se lá colocar uma estátua do primo do amigo do presidente de câmara? Que utilidade existe em se fazer uma piscina no bairro se existe uma outra funcional a menos de dois quilómetros? Que utilidade existe em se fazer uma estrada paralela a uma outra, se a existente está longe de ter tráfego mensurável? Que utilidade existe em se fazer uma sala de congressos que apenas albergará no fim do ano a festa de Natal dos funcionários da câmara?

Mas as obras criam empregos... não criam?

Pois criam, mas apenas por um momento. Em boa verdade, os empregos que se criam hoje serão transferidos amanhã para o estrangeiro, visto que o dinheiro dos juros da dívida vai ser subtraído às famílias através de impostos, e pago aos estrangeiros que nos emprestam dinheiro. Um estrangeiro será amanhã beneficiado por me haver emprestado dinheiro, pela simples razão de que ninguém está a fazer um esforço para pagar a dívida. Na verdade, estamos a criar uma teta eterna para um estrangeiro qualquer.

Mas as obras já estão pagas!

Na verdade não. Se virmos bem, uma obra que tenha sido feita há vinte anos atrás não só não foi paga como continua a pagar juros. E isso eu juro! Como a dívida se tem mantido nos mesmos valores, temos de considerar que cada compra e cada obra se deve valorizar à taxa de desconto do empréstimo de tesouraria, a taxa mais elevada que um município paga.

Consideremos uma obra inútil (estátua e jardim numa rotunda que até já estava calcetada) de EUR 100.000 a pagar a vinte anos à taxa de 3%. A taxa máxima de juro pago pelo município é de 5%. A manutenção fica a 5% do montante da obra, paga à empresa de jardinagem e ao empereiteiro.

Quanto custa a obra anualmente? Entre serviço de dívida (5% + 3%) e manutenção (5%), a obra, dir-se-á, custa EUR 13.000 anuais. Era bom que assim fosse, mas não é. É que se a obra não existisse, era menos EUR 100.000 no empréstimo de tesouraria, esse perpétuo. Logo há que adicionar os 5% de juros anuais desse empréstimo. A obra custa então EUR 18.000 anuais. Portanto, duplica o preço a menos de 6 anos. Dessas despesas anuais 8%, ou oito mil euros, são em juros. Um banqueiro está a esfregar as mãos.

Ao fim de vinte anos, a obra custa qualquer coisa como EUR 360.000. Sim, trezentos e sessenta mil euros, mais de três vezes o que foi orçamentado e pago ao empereiteiro. Esses trezentos e sessenta mil euros vêm dos meus e dos seus impostos, caro leitor. Repercutem-se no preço da água que lhe trazem para casa, fonte de financiamento dos municípios.

Repercutem-se na multiplicidade de licenças e de taxas, de alvarás pagos e de autorizações a peso de ouro que os municípios lhe exigem até para fazer uma capoeira ou para colocar uma câmera de segurança no seu terreno.

Mas se as obras são tão más, porque é que as fazem?

As obras são feitas porque beneficiam os políticos que as mandam fazer e os empereiteiros que as executam. Os empereiteiros (que não são burros nenhuns!) usam parte desse dinheiro em financiamento dos partidos no poder, e até por vezes em subornos aos decisores. Os bancos adoram as obras públicas porque ficam com uma fonte de rendimento perpétuo, em juros que nunca acabam. No fundo, trata-se de usar o nosso próprio dinheiro para comprar os nossos votos, como se de uma benesse se tratasse.

Portanto, e creia que tenho razão, a culpa desta situação é minha e sua. Por isso, estou a considerar pela primeira vez na minha vida votar em branco (anulando o voto, pelo sim, pelo não). Estou, caro leitor, farto deste socialismo extorsionista, que vive para enriquecer políticos que compram o nosso voto com o mesmo dinheiro que roubam aos nossos próprios bolsos.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Quando as comadres estão de costas as verdades sabem-se.

Sim, nós podemos... redistribuir riqueza! Sim, nós podemos... ignorar a Constituição. Sim, nós podemos... destruir este país.

As seguintes palavras não são minhas:

Já ouvi mais de Bush, pedindo o meu conselho, do que ouvi de Obama. Não tenho relacionamento nenhum com o Presidente — mesmo nenhum. Obama não sabe ser presidente. Ele não sabe como o mundo trabalha. Ele é incompetente. É um amador!

Juram-se a pés juntos que estas palavras foram proferidas em ira por Bill Clinton, durante uma reunião em Chappaqua, em relação ao presente presidente dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama. Clinton e Obama estão no mesmo partido, e Obama beneficiou em idos de 2008 e de 2012 de uma ajudinha e de um apoio bem merecido do Bill Clinton.

Para quem quiser conferir, o artigo no New York Post é assinado por Edward Klein.

Iguais incompetentes, com iguais socialismos e humidíssimos sonhos para o Estado Controleiro™, continuam a governar Portugal.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Uma história de burros

Sou autoridade!

A história que se segue é completamente inapropriada para pessoas com apoplexia ou asma. São aqui avisados também os que sejam sensíveis a estultícia, burrice ou trapalhadas. A cautela dos nossos leitores é aconselhada.

Passou-se há alguns dias, e foi-me contado por quem o presenciou. A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) entra pelo estaleiro do novo data center da PT, na Covilhã, adentro, e manda parar todas as máquinas.

As razões invocadas foram estas: receberam uma denúncia, anónima, dizendo que uma das gruas móveis trabalhava sem aterramento elétrico. Os engenheiros devem neste momento estar a rir às bandeiras despregadas. Foram avisados.

Um aterramento elétrico é, como mostra a figura seguinte, composto por uma vara de cobre espetada na terra e ligada por um fio a uma instalação elétrica. Esse aterramento é ligado às carcaças metálicas dos equipamentos e conduz para a terra alguma descarga a essas carcaças, protegendo os utilizadores.

Um aterramento elétrico, como o que existe nas nossas casas

Os senhores da ACT, cavalos africandos extremamente sapientes nas artes do incómodo e da burrice, asserveravam que a ligação das gruas móveis à terra era obrigatória por lei. Fica por saber qual é o comprimento do fio que deve ser utilizado para realizar essa ligação, já que as gruas móveis, surpresa!, são supostas deslocarem-se. Os responsáveis pelas obras, contaram-me, não sabiam se deveriam rir ou zangar-se. Não sei como acabou o episódio. Só espero que da próxima vez antes de dar ouvidos a denúncias anónimas, os fiscais fiscalizem o que sabem fiscalizar antes que alguém tenha de fiscalizar o que os fiscais dizem saber.

Quando digo que a ACT e a ASAE devem ser extintas, os seus fiscais nunca se olvidam de se esforçar para me dar razão. A eles, os meus mais sinceros agradecimentos. Não poderia ter senão neles o melhor advogado das minhas teses.

Bem dizia um formando meu, o Carrola, que a ASAE terá um dia de fechar a ASAE. Ou a ACT.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Quem disse que o Estado não é uma empresa?

O Estado é uma empresa, pois tem um deve e um haver, receitas e despesas, e serviços a prestar. Não se pode viver sem Estado. Bem o sei, que vivi em lugares onde o Estado era coisa que não existia no meio de África. E, creiam-me, essa é a antecâmara do inferno.

O Estado deve ser gerido como uma empresa: descobrir-se primeiro quais são os produtos e serviços a fornecer aos clientes de modo a satisfazer as necessidades destes e depois fabricá-los a um custo que permita o preço que os clientes estão dispostos a pagar. Os clientes somos nós, que vivemos dentro da área territorial gerida em exclusividade pelo Estado. Quando falo em estado mínimo, é óbvio que não falo de estado inexistente. Há no entanto em mim a sensação (ainda mais porque sou trabalhador independente em vez de funcionário acomodado) de que os impostos que pagamos não são justificativos do cúmulo de serviços que recebemos do Estado Português.

Há uma diferença entre o Estado e uma outra empresa em mercado livre: se não me agradar a cor ou o preço dos eletrões da EDP, posso ir à ON e pedir um preço. Sei que há cartel nestas empresas, mas os cartéis nunca são eternos: duram até que uma delas comece a ter uma posição dominante, e depois desfazem-se como o amor entre a Besta e a Babilónia em Apocalipse. Quanto ao Estado, se eu não gostar da torturenta e lacrimosa fiscalidade do Estado Português, posso pedir secessão da minha propriedade e começar a pagar ao estado russo, por exemplo?

O Estado assume o monopólio forçado à ponta d’arma num determinado território, território esse que, para minha misérrima desesperança, inclui o meu torrão em Barco, Covilhã. Logo, se não se pode mudar, há que se ser eficiente. Que não gastar mais um chavo do que o necessário para se ter um nível razoável de qualidade de serviços. E por serviços do Estado, inerentes ao Estado e não delegáveis, incluo a produção legislativa, a administração da justiça, a diplomacia externa, a defesa nacional, a manutenção da ordem pública, os serviços de informações e a manutenção de um dispositivo de emergência e de proteção civil.

Não precisamos de um ministério da educação que não educa, de um ministério da economia que não gera riqueza ou de um ministério da agricultura que nunca viu uma couve na terra. Não necessitamos de um ministério da saúde que apenas existe para fazer as contas doentes (necessitamos serviços de monitorização da saúde pública, mas isso é outra coisa). Não necessitamos de segurança social que apenas torna o emprego impossível e as pessoas inseguras de si. Finalmente, não precisamos de uma miríade de assessores de porra nenhuma, essa expressão deliciosa proveniente do Brasil. Se os partidos acham que os assessores são necessários, pois que listem os assessores nas suas candidaturas e tirem as nulidades das Drago, dos Zorrinho e dos Bernardino.

Este foi um comentário meu para este artigo n'O Insurgente.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Notícias fictícias que até poderiam ser reais (I)

De acordo com o porta-voz Zurro do Carlos, o PS considera que os quase licenciados pelas novas oportunidades são os mais aptos profissionais de Portugal, e que o programa foi de extrema utilidade para o país.

O PS apresenta na sua comunicação o que escreve, numa mensagem por via eletrónica, um dos graduados:

sou quase-Licençiado nível 5 em Téc.de Sekretariado tive de ter muitas aulas de PortuguÊS pra vida e de datilografia 2º novo acordo. e como sabem voçês bem tenho muitas competências para o marcado de trabalho como dis o setôr lá nas aulas peço que me deiem uma oprotunidade para puder pruvar o meu valor, obrigado e tenham muitas felicidades

de gajomagano92@hotmail.com

Quando perguntado acerca da ubiquidade e persistência dos erros de pontuação, ortografia e de sintaxe da mensagem, o porta-voz pediu uma pausa. Após retornar, alguns minutos depois, com um dicionário na mão, retorquiu: «Como viu, o nosso exemplar formando mostrou as suas competências avançadas no domínio da criptografia».

Quando insistimos que «criptografia» é um neologismo bacoco para «cifragem», o porta-voz mostrou-se estupefacto e voltou ao dicionário. Visivelmente embaraçado, mudou de assunto.

Os Estados Unidos, a terra da pretérita liberdade.

A notícia no USA Today deixou-me abananado. Afinal, algo vai muito mal na terra da liberdade. As pessoas que criticarem o Obama terão escrutínio extra do IRS (o serviço de finanças do Governo Federal).

Sabemos que existe liberdade quando podemos fazer um insulto aberto ao governante sem que nos aconteça nada. Neste critério, em Portugal há mais liberdade hoje que nos Estados Unidos. Do modo como se critica o Passos Coelho, passando as bordas do insulto vácuo e imbecil, e como não ouço nada de a polícia ou as finanças andarem atrás dos manifestantes identificados), terei de concluir que vivo na pátria da liberdade.

A história mostra-nos que não é possível uma minoria enganar a maioria por muito tempo. Quarenta anos depois dos amanhãs que cantam, teremos de cantar. A canção é que não é a que os enganados achavam que cantariam. É, no entanto, a canção que os países que têm constituições que obrigam ao socialismo como a nossa andam a cantar.

Entretanto, em Portugal há liberdade. Há alguns casos de as finanças e da ASAE terem sido utilizadas para manter a bolinha baixa de empresários que criticam publicamente o governo. Noutros casos, quem contava anedotas sobre a licenciatura de Sócrates era despedido. Pesando a gravidade destes casos, eram pontuais. Mostram como o governo Sócrates via o país: a alguns suborna-se, a outros premeia-se, a alguns castiga-se e os restantes pagam. Por justiça, aqui distingo do PS, que só pecou por não ter vergonha do que o seu líder em nome do PS fez.

Referências:
ASAE investiga infrações na campanha do 1.º de maio do Pingo Doce: Havia quem não gostasse de Alexandre Soares dos Santos.
Estado indemniza professor da anedota sobre Sócrates: Sócrates prevaricou, o povo pagou.