terça-feira, 7 de maio de 2013

Burros em escudos ou em euros?

O nosso problema não está na nossa moeda, está no nosso Estado. Temos Estado a mais. Temos funcionários a mais, burrocratas a mais à espera de um tacho no privado, plutocratas infindos, beneficiários do rendimento mínimo e do rendimento máximo que acham que têm direito à substância do outro, emperresários gulosos pelos dinheiros públicos e uma banca que facilita tudo isto, claro que a juros. A banca adora o Estado, mancomuna-se com os políticos que querem deixar obra e com os emperreiteiros que querem vender quinquilharias e cimento. Este é o problema da economia portuguesa. Bem pior seria se não estivéssemos no Euro e tivéssemos de arcar com juros de dez, doze ou quinze por cento para colocar mais dívida à la Mr. Seguro nos ma-le-di-tos mercados.

Em suma, o Euro é um verdadeiro benefício. Falta apenas acabar com as obras que ninguém parece querer excepto o político que nela coloca o seu nome, a banca que avança com o dinheiro e cobra juros e o emperresário que quer cobrar uns cobres a peso de ouro. Assim nasce o Auditório Dr. Couro de Burro, a Piscina Dr. Couro de Burro e o edifício da Junta de Freguesia Dr. Couro de Burro na mesma localidade. O Dr. Couro de Burro não tem dinheiro nem o sabe ganhar. Isso de ganhar dinheiro é ocupação para broncos empresários (dos honestos) e bestas de carga. O Dr. Couro de Burro tira aos empresários e aos empregados o dinheiro para manter as obras dermo-asininas por este país afora.

Piorando o que já é mau, o Dr. Couro de Burro não se coíbe de dizer aos empresários (distingo dos emperresários e dos emperreiteiros) como devem gerir o seu negócio. Nem reconhece ou valoriza o facto de que a coisa pública, gerida pelo Dr. Couro de Burro, está um desastre autêntico. Se o José Labuta, empresário, quer montar uma oficina para cortar mármores, tem no mínimo trinta licenças a conseguir, numa gesta hercúlea, a cada uma das quais os Dr. Couro de Burro pôs um preço e um tempo de espera que raramente cumpre. O Sr. Labuta já teve de pagar o terreno para que fosse seu, comprar os materiais e a mão de obra para construir, e ainda assim tem de pagar ao Sr. Couro de Burro (e esperar meses ou anos) para que lhe deixe fazer algo de produtivo daquilo que já é seu.

Ainda assim, o Sr. Labuta não está a salvo do Couro de Burro. Irá ter de lhe pagar impostos estipêndios (adjectivação e nominação intencionais!) para quem pouco ou nada faz de produtivo, e que ainda gasta parte desse dinheiro a perroteger e perromover emperresários amigos do Dr. Couro de Burro.

Se por acaso o Sr. Labuta resolver dar com a boca no trombone e dizer publicamente o que acha do Dr. Couro de Burro, este manda-lhe os fiscais das finanças e da ASAE aborrecê-lo logo no dia seguinte. Já vi isto feito a tantos empresários que reconheço aqui uma prática perversa. No pensamento do Dr. Couro de Burro, o país existe unicamente para simples usufruto do Sr. Couro de Burro, a suprema carraça nacional.

Aqui está o problema. Pagá-lo-emos em escudos ou em euros.

Este artigo foi ligeiramente adaptado de um comentário meu a este excelente artigo n'O Insurgente. Vejam também esta excelente análise do Mário Amorim Lopes.

sábado, 4 de maio de 2013

Sugestão para a fiscalidade

Vá lá, contribua para o Estado Social...ista!

Uma coisa que os governantes portugueses não são é razoáveis. Os nossos meios de comunicação são exímios em clamar por justiça, e são completos idiotas pelo modo como o fazem.

Se queremos baixar os impostos à classe média, podemos usar o investimento estrangeiro em impostos baixos. Não com esta fiscalidade opressiva, com certeza. Mas se fizermos um pequeno acerto na fiscalidade, podemos captar impostos das grandes fortunas que andam desavindas com o esquerdérrimo Hollande, o coveiro da França.

No código do IRS deveremos ter presente que dez por cento de muito é mais que cem por cento de nada. A meu ver, os ricos podem facilmente mandar lixar o Sr. Hollande ou o Sr. Coelho ou o Sr. Rajoy mais depressa que qualquer um de nós, movendo os seus capitais para onde lhes aprouver. Eu pago quantos impostos me impõem, e um rico paga quanto quer pagar.

Setenta e cinco por cento de nada é nada. O zero ainda continua a ser o elemento absorvente da multiplicação, mesmo da fiscal. Por mim, a solução para que os ricos queiram ser taxados em Portugal é apenas uma: taxem os rendimentos acima do milhão de euros a 10%.

Consequências

Passamos a perna no Hollande e talvez tenhamos a fortuna da L'Oreal em Portugal, já que o celebérrimo Depardieu anda nestes dias a aprender o alfabeto cirílico.

Mais do que isso, trazemos talento para fazer dinheiro para Portugal. Naturalmente, se um rico vem viver para Portugal, criará empregos qualificados e não qualificados por cá (nenhum rico trata dos seus impostos ou faz a sua cama). Ainda melhor, com grande probabilidade a próxima ventura comercial ou industrial poderá também ser por cá, se o ricaço não tiver esta burrocracia (grafia intencional!) labiríntica de que nos enferma o licenciamento industrial, essa máquina infernal que faz frustrar o santo mais paciente.

Que temos a perder?

Poderemos conseguir 10% dos milionários da Europa, ou pelo menos 20% dos que deixaram o Hollande por Londres (e que até foram tão poucos que já se fala em Londres no 21º Bairro de Paris). Temos melhor clima que os bifes, paz social e, a cereja em cima do bolo, um povo que aprende línguas como poucos no mundo.

O próprio Sr. Hollande afirmou que a taxa de 75% iria afetar em França apenas 2000 a 3000 pessoas. Este número é por baixo, dada a dimensão da França, mas assumamos 2000 pessoas a ganhar mais que um milhão de euros. Isso significará, só nestes números e pelo plano de fiscalidade que aqui defendo, 2000 milhões de euros taxados à taxa normal e o excedente à taxa reduzida. Só fazendo contas a 25% de 2000 pessoas a ganharem cerca de dois milhões de euros, estamos a falar de cerca de quinhentos milhões de euros (na quota até ao milhão) mais outros quinhentos na quota acima. Isto levaria a uma colecta de 250 + 50 milhões de euros, ou 300 milhões de euros. Só potencial da França! Com sorte, até teríamos espanhóis, alemães e ingleses a criar o primeiro bairro multilinguístico de Portugal em Cascais (e a pagar impostos aqui).

10% cento de muito é melhor que 75% ou 55% de nada. Pensem nisto os nossos governantes, se sabem fazer contas.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Subscrevo!

A complicação introduzida na emissão e no controlo das facturas, que quase inviabiliza a actividade de numerosos sectores, dificuldades essas sentidas na distribuição de energia, na recolha do leite e na utilização da logística moderna. Porque o esquema tradicional de produtos distribuídos pelos próprios veículos das empresas a um cliente final já não acontece. Toda esta burocracia é complicadíssima. É incompreensível que um país que quer estimular a actividade económica e atrair investimento estrangeiro tenha na área da fiscalidade uma dificuldade tão grande e crescente. As empresas, na sua esmagadora maioria, pagam os seus impostos. Mas precisam de saber com segurança o que devem pagar, o que não pode ser permanentemente tão confuso. E os prazos de resolução do contencioso fiscal não podem ser de anos, como agora.
Ferraz da Costa, em entrevista ao jornal I.

Diz e tem razão. É neste momento arriscar-se a levar uma paulada de saco criar uma empresa. A Grande Carraça (sim, o Estado), no esforço de se manter, vai matando o cão (o povo, o que está no setor privado). Este cão não pode aguentar uma carraça tão grande. E certamente não é com medidinhas de cortezinhos e rescisõezinhas voluntárias ou voluntarinhas que lá chegamos.

Há que ser duro, para que os nossos netos não tenham de pagar os nossos desmandos. Os nossos filhos irão invariavelmente pagá-los. Irão pagar festas como a Parque Escolar quando a população escolar for metade daquela que é hoje. Irão pagar autoestradas que ninguém usa. Irão pagar funcionalismo parado. Tudo coisas compradas hoje para se ir pagando.

Mais do que isso, irão pagar as empresas que não se formam hoje nesta voragem fiscal. Irão pagar as pessoas que hoje estão a receber uma educação cara demais (pois muitos professores pagos não dão aulas) e que, e bem!, irão emigrar. Irão pagar as retroescavadoras que foram compradas pelas câmaras municipais e que não trabalham. Essas estão a ser pagas (digo eu sempre!) à taxa de juro mais alta das dívidas das autarquias, as das dívidas de tesouraria, que excedem sempre os 5%, fora contratos de manutenção que aos juros acrescem. Tudo para pagar pelos meus filhos e pelos seus filhos.

Ficaria feliz se pelo menos deixássemos de fazer estes desmandos para que os nosso filhos, se forem mais inteligentes do que nós, ainda sejam capazes de resolver de uma vez por todas as dívidas que lhes legamos.

sábado, 27 de abril de 2013

Informação pertinente

Se alguém quiser conhecer os principais responsáveis pelo estado do país, basta ligar a televisão. Estão em conclave em Santa Maria da Feira.

Sugiro que selem as portas do complexo por soldadura a arco e alimentem os meliantes de tempos em tempos.

Infelizmente, o capo dei capi não está presente. Parece que andou por Paris, e agora anda invisível na RTP.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Pergunta pertinente

Se o 25 de Abril foi tanto o Dia da Liberdade, porque é que quase todas as forças de esquerda que se clamam dele herdeiros foram contra as eleições da assembleia constituinte de 1975?

Será que é por não gostarem de liberdade? Ou a liberdade para estas ideologias não passa por eleições? Talvez pensem que eles estão certos e o povo errado. O povo, para eles, não poderia escolher o seu futuro. Não é essa a antítese da liberdade, essa ideia de que sejam alguns a escolher por todos?

Mais uma anedota soviética

As primeiras eleições soviéticas aconteceram quando Deus apresentou Eva a Adão e lhe disse «escolhe a tua esposa».

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Bomba chinesa ao retardador

Para quem me pergunta, há muito que digo que a economia chinesa não é tão boa como diz que é. As taxas de crescimento da economia chinesa são baseadas em estatísticas iguais às soviéticas: falsas.

Uma agência de investimento baseada em Hong Kong, a Robeco, parece concordar comigo, neste artigo. A Robeco espera que a China entre em recessão de surpresa, quando estoirarem as várias bolhas dentro do país: a imobiliária, a industrial, a do crédito, a da dívida das cidades e tantas outras bolhas que nem nos apercebemos que estão lá.

A esta há que adicionar a mentira estatística.

Mas o que é isso significa para os portugueses? Em primeiro lugar, a China é um dos países onde as nossas exportações mais crescem: as exportações de bens quase duplicaram em 2012. Por outro lado, entrando a China em recessão, arrastará os Estados Unidos, outro país de bolhas prestes a estalar, outro dos nossos maiores mercados.

As exportações poderiam ter crescido mais, mas tivemos estivadores em greve durante os últimos meses do ano, e isso afectou muito a capacidade de as empresas entregarem a sua produção além-mar. Especialmente antes do Natal.

Em jeito de remoque, temos de considerar a possibilidade de exportar os nossos estivadores, se alguém algures for louco o suficiente para os tomar. Ou pura e simplesmente privatizar os nossos portos com zero canga em recursos humanos.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Ora um artigo com que eu concordo!

A minha opinião sobre este artigo é de total concordância, como aliás já tive ocasião de expressar neste artigo do Remoques!

O estado do Estado não se recomenda. Há funcionários a mais. Há coisas que pensa fazer (como políticas de emprego ou de crescimento económico) que saem ao contrário. Por exemplo: a ver pelas avaliações da educação, a educação pública está a milhas de ter a qualidade técnica e pedagógica dos bons colégios privados. O Governo de Portugal não só tem como paradigma o conceito de que é o Estado que comanda a sociedade, como acha que é a sociedade que deve servir o Estado. As carraças também pensam que os cães foram criados com o magno propósito de servir as carraças.

Os resultados de 39 anos de democracia são deploráveis: dívida, desemprego e depressão. Será isso surpreendente?

Será esse um problema inerente à democracia? Não, não é! É um problema da nossa democracia. Por mais que vociferemos contra o sistema de partidos, temos de partir do princípio de que estes estão longe de acabar. O sistema é muito útil a quem manda, e por isso tende a perpetuar-se.

Por enquanto a escolha portuguesa é entre o Super-Homem de Massamá e o Tó-Zero Batam-me, o sem-pressas. Os outros à esquerda são os representantes e herdeiros legítimos das piores ditaduras da humanidade. À direita existe um partido que sofre de uma crise de identidade, clamando-se do contribuinte, mas afinal tão socialista e despesista como os outros. O maior problema não é ser impossível recuperar com estes políticos, pois os políticos são eleitos pelo povo que vota e só lá estão com a sua permissão e anuência. O maior problema de Portugal é que com estes portugueses não vamos lá!