terça-feira, 23 de abril de 2013

Ora um artigo com que eu concordo!

A minha opinião sobre este artigo é de total concordância, como aliás já tive ocasião de expressar neste artigo do Remoques!

O estado do Estado não se recomenda. Há funcionários a mais. Há coisas que pensa fazer (como políticas de emprego ou de crescimento económico) que saem ao contrário. Por exemplo: a ver pelas avaliações da educação, a educação pública está a milhas de ter a qualidade técnica e pedagógica dos bons colégios privados. O Governo de Portugal não só tem como paradigma o conceito de que é o Estado que comanda a sociedade, como acha que é a sociedade que deve servir o Estado. As carraças também pensam que os cães foram criados com o magno propósito de servir as carraças.

Os resultados de 39 anos de democracia são deploráveis: dívida, desemprego e depressão. Será isso surpreendente?

Será esse um problema inerente à democracia? Não, não é! É um problema da nossa democracia. Por mais que vociferemos contra o sistema de partidos, temos de partir do princípio de que estes estão longe de acabar. O sistema é muito útil a quem manda, e por isso tende a perpetuar-se.

Por enquanto a escolha portuguesa é entre o Super-Homem de Massamá e o Tó-Zero Batam-me, o sem-pressas. Os outros à esquerda são os representantes e herdeiros legítimos das piores ditaduras da humanidade. À direita existe um partido que sofre de uma crise de identidade, clamando-se do contribuinte, mas afinal tão socialista e despesista como os outros. O maior problema não é ser impossível recuperar com estes políticos, pois os políticos são eleitos pelo povo que vota e só lá estão com a sua permissão e anuência. O maior problema de Portugal é que com estes portugueses não vamos lá!

Mais um instituto a desbandar

Quando a minha atividade de formação amainou no fim do ano passado (associado a um monte de calotes que estão pouco a pouco sendo resolvidos) resolvi cessar a minha atividade como formador. No dia em que a cessei, dirigi-me ao Instituto de Emprego e Formação Profissional para saber o que havia de ofertas para mim.

Achei estúpido que, havendo mostrado interesse numa determinada oferta, a funcionária do IEFP não telefonasse para a empresa por forma a marcar uma reunião ou pelo menos perguntar se poderia lá ir. Nem sequer me disse de que empresa se tratava, para que me candidatasse de minha própria volição. Em vez disso, limitou-se a atualizar a base de dados, a preciosa base de dados! Depois, disse-me, poderia pelo sítio do IEFP candidatar-me à oferta (esse foi outro aborrecimento, pois não consigo recuperar a senha, de que me esqueci, apesar de ter tentado enviar mensagens ao suporte técnico).

[Resta dizer que entretanto a atividade de formação se reiniciou, e vou recebendo convites, sendo que o meu problema já é conciliar a agenda em Maio. Mas isso é outra história.]

Afinal sou jovem

Recebi uma convocatória, na qual fui a duas horas de esfrega sobre o programa Impulso Jovem, na qual, apesar do meu aspeto e de me perguntarem ainda se tenho o Cartão Jovem, não me posso inserir, pois nasci em 1970. Como eu, muitos, até mais velhos. À laia de aparte, preferia ter experimentado se a convocatória poderia ser deglutida por uma funcionária acomodada, à minha frente.

Afinal estava na base de dados!

A segunda inutilidade

Recebi ontem uma convocatória para o outro lado do país. O meu currículo é manifestamente excessivo para tal vaga, o que não me assusta pessoalmente, pois estou disponível para qualquer tipo de trabalho honesto. Sei no entanto que as empresas procuram não contratar licenciados para funções técnicas, pois sabem que estes licenciados sairão assim que obtiverem uma nova oferta, mais choruda e adaptada às suas capacidades. Tenho três dias, segundo a dita convocatória, para obter um carimbo da empresa ou saio da base de dados (g'anda chatice!).

Perguntei então ao IEFP (retiro as fórmulas formais e a identificação da desfuncionária, a primeira por brevidade e a segunda por, digamos, cortesia):

No decurso desta convocatória, peço a Vas. Exas. que me prestem a seguinte informação:

1) A empresa em questão (Especialidades Minerais SA) recebeu o meu curriculum vitae e predispôs-se a entrevistar-me, ou esta convocatória trata-se apenas de uma formalidade?

Gostaria de marcar com a empresa uma entrevista, e gostaria se saber quais as diligências (em as havendo) tomadas pelo IEFP, com o fito de adequar a mensagem que transmitirei.

Veio a resposta (se é que houve resposta).

A carta que recebeu será para contatar a empresa (marcar a entrevista ou dirigir-se diretamente à entidade).

Pergunto alhos, respondem-me bugalhos. Ou não sabem ler português ou esquivam-se às perguntas. Insisto.

Agradeço a resposta pronta à minha mensagem, contudo verifico que a pergunta que fiz não foi respondida. Relembro que esta é se a empresa em questão recebeu o meu curriculum vitae, e se, havendo-o recebido, demonstrou interesse em receber-me. A mensagem que enviarei, obviamente, diferirá consoante a resposta a estas perguntas.

A resposta veio finalmente.

As empresas não recebem quaisquer currículos dos candidatos inscritos nos serviços de emprego.

A carta de apresentação serve para o candidato fazer o contato com a empresa e, se for necessário, o próprio é que entrega o seu currículo.

Então o IEFP manda AOS CANDIDATOS fazerem perder o seu tempo e o das empresas (como se elas vivessem de fazer as vontades ao importantíssimo e divinal Instituto e de carimbar as folhas dos candidatos), sem sequer fazer um papel de mediação, como fazem a Randstadt e a Tempo Team! Ao menos estas fazem o seu negócio (carcanhóis, massa, graveto) procurando verdadeiramente adequar os candidatos às empresas que querem contratar. Se não adequam, as empresas deixam de recrutar por elas, e a Randstadt ou a Tempo Team morrem.

Ah, se eu me borrifar à convocatória, pois a sua probabilidade de aceitação é de tal forma diminuta que os custos de deslocação não se justificam, sairei da preciosa base de dados e deixo de lá poder estar por 90 dias. Como se o facto de eu lá ter estado me tivesse adiantado alguma coisa!

Em conclusão

O IEFP existe primordialmente para providenciar trabalho e salários aos seus funcionários. Podemos asserverar com confiança que é a mais cara estrutura de gestão de base de dados de Portugal. Se o IEFP existe somente para manter uma inutilíssima base de dados, podem bem assegurar essa gestão através de uma pequena estrutura privada. Em boa verdade, a Randstadt e a Tempo Team fazem mais pelo emprego em Portugal que o IEFP, e a uma fração diminuta dos custos do primeiro.

Extinga-se de vez o IEFP. Estamos a pagar sem retorno funcionários acomodados, sem objetivos e sem brio profissional. Mas porque não quero ser inútil, dou aos senhores uma instrução em SQL para usarem na preciosíssima base de dados, menina dos seus olhos e propósito das suas existências.

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1 record removed: Instituto de Desemprego e de Borrifação Profissional

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Estadofeudalismo

Gráfico de quanto o Estado recebe pelo trabalho dos outros.
Quanto o Estado recebe pelo trabalho dos outros

Alerto a vossa atenção para este artigo excepcional de Carlos Guimarães Pinto n'A Montanha de Sísifo.

Se há quem ponha o dedo na ferida, é o Carlos. O Estado anda-nos a levar tudo. Para quê? Para manter mais ou menos intactos os privilégios das mesmas classes de dependentes do Estado.

O Carlos Guimarães Pinto apenas se esqueceu, na imagem, de que o Zé terá de pagar Segurança Social pelo seu próprio emprego. Os 401 euros que sobram ao Zé dos 3000 que fatura ao cliente são na verdade menos. De qualquer forma, o artigo é indesmentível e as suas conclusões corretas: não é possível haver empreendedorismo em Portugal enquanto o Estado for o principal beneficiário do empreendedorismo alheio. Não se pode pedir ao português que arrisque para não receber, que se semeie para que outros comam o fruto.

Estadofeudalismo! O Estado trata-nos como servos da gleba.

40 anos do Partido Socialista

Obrigado, Partido Socialista, por seres o direto responsável por 3 bancarrotas com chamada ao FMI. Obrigado pelo Narciso Miranda, pela Fátima Felgueiras, pelo Jorge Coelho e pelos seus semelhantes; e a ainda pelo António Guterres e pelo José Sócrates, estes dois últimos os coveiros de Portugal.

Obrigado por autoestradas onde ninguém passa, pela autossuficiência energética que afinal tenho de pagar todos os meses, pela RTP gorda que eu tenho de pagar todos os meses, por uma dívida que eu tenho de pagar todos os meses, por mais de um milhão de funcionários do Estado que eu tenho de pagar todos os meses, por haver-se desbaratado as posições que tínhamos de dívidas de outros países que em 1995 tínhamos em nosso poder. Obrigado pelos pelos compromissos que fizeste para o futuro em meu nome, onerando as gerações minha e dos meus filhos. Obrigado pelas PPP (Paga o Palerma do Povo) que nos endividarão por décadas.

Obrigado pela tua visão de desenvolvimento, que apenas desenvolveu os bolsos de alguns dos teus militantes. Metade dos teus líderes, em outros países, já teria sido linchado publicamente, e resta o estado de direito para que estes possam vir mandar postas de pescada às televisões como a coisa pública deverá ser guiada, sem qualquer vergonha por terem levado o país à bancarrota.

Parabéns pelos teus quarenta anos. Teres sobrevivido mostra o como estamos em democracia, mais para a cleptocracia. Agora, não me peças para te desejar mais 40 anos de vida. O país simplesmente não aguentaria.

A lista de críticas a fazer ao PSD é igualmente extensa. Contudo, em boa verdade, não tem nem as três bancarrotas nem o grosso das PPP.

sábado, 20 de abril de 2013

Uma anedota soviética real

O Álvaro Cunhal visita uma pocilga industrial no Alentejo e deixa-se fotografar. Nesse mesmo dia, na redação do Avante discute-se qual a legenda a dar à fotografia que ilustrará o relato dessa visita.

«Álvaro Cunhal e os porcos», «Álvaro Cunhal entre porcos», «Porcos rodeiam o Álvaro Cunhal» e «Alvaro Cunhal em frente a porcos» são rejeitadas pois podem ser material de chacota (entre os quais por aqui, no Remoques!) Após deliberação unânime, a legenda escolhida é: «Camarada Álvaro Cunhal, o terceiro a contar da esquerda na fila da frente.»

Ao cuidado de Pedro Passos Coelho

Pedro Passos Coelho, gostaria de lhe lembrar que eu votei num liberal. Em si, naquilo que é hoje, não foi de certeza.

Um liberal iria diminuir o papel do Estado na economia, talvez para 15% a 20%, não o deixaria aumentar. Um liberal iria diminuir o número de leis, decretos, portarias e minúcias, e não criar mais confusão no edifício legislativo português. Um liberal iria manter os tipos da ASAE em modo pedagógico, não a avançar logo com o bloco de multas. Um liberal nunca permitiria que algum qualquer industrial tivesse 17.000 páginas de legislação que lhe pertinem para ler, mais ou menos a altura de um homem em folhas empilhadas. Nunca permitiria que um simples café precisasse mais de vinte papéis e autorizações para entrar em funcionamento. Um liberal nunca permitiria que uma exploração de aquacultura pudesse estar anos a fio sob o terror burocrático sem poder iniciar obras.

Um liberal nunca iria permitir que os pais tivessem de gastar trezentos euros por ano em livros escolares por aluno por causa dos sempiternos conluios entre editoras, funcionários do ministério e professores. Um liberal nunca permitiria que 50.000 professores estivessem sem dar aulas, apesar de continuarem a drenar dinheiro de contribuintes que ganham três ou quatro vezes menos do que eles. Um liberal nunca permitiria que nas câmaras municipais os armazéns estivessem cheios de trabalhadores especializados enquanto o trabalho real é adjudicado, a preços acima de mercado, muitas vezes sem concurso público e sempre aos amigos dos presidentes de câmara.

Um liberal não teria permitido que as PPP da energia e das autoestradas continuassem como estão. Se é verdade que é difícil lutar contra as leis blindadas por Sócrates, pelo menos teria dado luta e feito esses manigantes suar as estopinhas e chorar de raiva e de medo. Um liberal a sério não permitiria que o mercado liberalizado de energia e de comunicações tivesse tantas barreiras burocráticas e administrativas à entrada que na prática apenas uns poucos pudessem cartelizar os preços e cobrar quanto quisessem.

Um liberal teria desregulado a economia, baixado o número de papéis e de autorizações, teria acabado com leis feitas à medida de empresas incumbentes para eliminar concorrência. Um liberal teria despedido na função pública, para que o Estado fosse menor e mais ágil, e pesasse menos nos ombros dos infelizes e forçados contribuintes que o carregam. Um liberal não teria mentido ou dourado pílulas sobre o estado da Segurança Social, passando para os nossos descendentes, os meus filhos e os seus, encargos dobrados que poderiam ter sido resolvidos nesta geração e que deveriam ter sido acautelados na anterior.

Pedro Passos Coelho, o senhor não é liberal nenhum. Peço por favor que se assuma como é publicamente, um socialista, apenas espartilhado por o crédito se ter acabado. O seu governo é na essência igual a um hipotético governo de António José Seguro, apenas menos mau nos efeitos porque o outro é um completo Tó Zero. Rogo-lhe por isso que diga de uma vez por todas o que o faz achar ser liberal. Eu, que o sou, em si não acho nada.

Quando falo da China...

... digo sempre que é uma nação com pés de barro, como a estátua do sonho de Daniel. Sempre me retorquiram que os chineses vão dominar o mundo, que eles é que estão bem. Digo, redigo, afirmo e reafirmo que a China se vai esfrangalhar ainda no decurso da minha vida, e talvez mesmo não assista incólume ao fim desta década.

Desta vez tenho um aliado insuspeito na minha argumentação: o jornal Pravda, sim, o Pravda! Um acutilante artigo de Anastácia Garina (sei lá quem é a senhora, mas tenho de citar o nome) diz tudo na última frase: "В китайской экономике начался процесс коррекции.", ou traduzindo para os nossos não russófonos, «A economia chinesa iniciou o processo de correção».

Eu sei bem que há americanos que andam a dizer isso desde há mais de dois anos. Ao que parece, existe um crime capital neste mundo que é ter nascido americano. Um americano, aqui pela Europa, apenas se porta bem quando vota no Obama, mesmo que esteja a dar um tiro no pé e a comprometer o futuro dos Estados Unidos e por arrasto da Europa. Uma vez que o Obama tome o poder (e tomou, por ou pelo menos com fraude confirmadíssima!), os Estados Unidos, mesmo sob Obama, serão outra vez os maus de qualquer fita. Russos, contudo, no ainda socialíssimo e anti-americaníssimo Pravda, juntam-se às vozes dos primeiros.

Afinal o mesmo artigo andava por lá em inglês.