segunda-feira, 22 de abril de 2013

40 anos do Partido Socialista

Obrigado, Partido Socialista, por seres o direto responsável por 3 bancarrotas com chamada ao FMI. Obrigado pelo Narciso Miranda, pela Fátima Felgueiras, pelo Jorge Coelho e pelos seus semelhantes; e a ainda pelo António Guterres e pelo José Sócrates, estes dois últimos os coveiros de Portugal.

Obrigado por autoestradas onde ninguém passa, pela autossuficiência energética que afinal tenho de pagar todos os meses, pela RTP gorda que eu tenho de pagar todos os meses, por uma dívida que eu tenho de pagar todos os meses, por mais de um milhão de funcionários do Estado que eu tenho de pagar todos os meses, por haver-se desbaratado as posições que tínhamos de dívidas de outros países que em 1995 tínhamos em nosso poder. Obrigado pelos pelos compromissos que fizeste para o futuro em meu nome, onerando as gerações minha e dos meus filhos. Obrigado pelas PPP (Paga o Palerma do Povo) que nos endividarão por décadas.

Obrigado pela tua visão de desenvolvimento, que apenas desenvolveu os bolsos de alguns dos teus militantes. Metade dos teus líderes, em outros países, já teria sido linchado publicamente, e resta o estado de direito para que estes possam vir mandar postas de pescada às televisões como a coisa pública deverá ser guiada, sem qualquer vergonha por terem levado o país à bancarrota.

Parabéns pelos teus quarenta anos. Teres sobrevivido mostra o como estamos em democracia, mais para a cleptocracia. Agora, não me peças para te desejar mais 40 anos de vida. O país simplesmente não aguentaria.

A lista de críticas a fazer ao PSD é igualmente extensa. Contudo, em boa verdade, não tem nem as três bancarrotas nem o grosso das PPP.

sábado, 20 de abril de 2013

Uma anedota soviética real

O Álvaro Cunhal visita uma pocilga industrial no Alentejo e deixa-se fotografar. Nesse mesmo dia, na redação do Avante discute-se qual a legenda a dar à fotografia que ilustrará o relato dessa visita.

«Álvaro Cunhal e os porcos», «Álvaro Cunhal entre porcos», «Porcos rodeiam o Álvaro Cunhal» e «Alvaro Cunhal em frente a porcos» são rejeitadas pois podem ser material de chacota (entre os quais por aqui, no Remoques!) Após deliberação unânime, a legenda escolhida é: «Camarada Álvaro Cunhal, o terceiro a contar da esquerda na fila da frente.»

Ao cuidado de Pedro Passos Coelho

Pedro Passos Coelho, gostaria de lhe lembrar que eu votei num liberal. Em si, naquilo que é hoje, não foi de certeza.

Um liberal iria diminuir o papel do Estado na economia, talvez para 15% a 20%, não o deixaria aumentar. Um liberal iria diminuir o número de leis, decretos, portarias e minúcias, e não criar mais confusão no edifício legislativo português. Um liberal iria manter os tipos da ASAE em modo pedagógico, não a avançar logo com o bloco de multas. Um liberal nunca permitiria que algum qualquer industrial tivesse 17.000 páginas de legislação que lhe pertinem para ler, mais ou menos a altura de um homem em folhas empilhadas. Nunca permitiria que um simples café precisasse mais de vinte papéis e autorizações para entrar em funcionamento. Um liberal nunca permitiria que uma exploração de aquacultura pudesse estar anos a fio sob o terror burocrático sem poder iniciar obras.

Um liberal nunca iria permitir que os pais tivessem de gastar trezentos euros por ano em livros escolares por aluno por causa dos sempiternos conluios entre editoras, funcionários do ministério e professores. Um liberal nunca permitiria que 50.000 professores estivessem sem dar aulas, apesar de continuarem a drenar dinheiro de contribuintes que ganham três ou quatro vezes menos do que eles. Um liberal nunca permitiria que nas câmaras municipais os armazéns estivessem cheios de trabalhadores especializados enquanto o trabalho real é adjudicado, a preços acima de mercado, muitas vezes sem concurso público e sempre aos amigos dos presidentes de câmara.

Um liberal não teria permitido que as PPP da energia e das autoestradas continuassem como estão. Se é verdade que é difícil lutar contra as leis blindadas por Sócrates, pelo menos teria dado luta e feito esses manigantes suar as estopinhas e chorar de raiva e de medo. Um liberal a sério não permitiria que o mercado liberalizado de energia e de comunicações tivesse tantas barreiras burocráticas e administrativas à entrada que na prática apenas uns poucos pudessem cartelizar os preços e cobrar quanto quisessem.

Um liberal teria desregulado a economia, baixado o número de papéis e de autorizações, teria acabado com leis feitas à medida de empresas incumbentes para eliminar concorrência. Um liberal teria despedido na função pública, para que o Estado fosse menor e mais ágil, e pesasse menos nos ombros dos infelizes e forçados contribuintes que o carregam. Um liberal não teria mentido ou dourado pílulas sobre o estado da Segurança Social, passando para os nossos descendentes, os meus filhos e os seus, encargos dobrados que poderiam ter sido resolvidos nesta geração e que deveriam ter sido acautelados na anterior.

Pedro Passos Coelho, o senhor não é liberal nenhum. Peço por favor que se assuma como é publicamente, um socialista, apenas espartilhado por o crédito se ter acabado. O seu governo é na essência igual a um hipotético governo de António José Seguro, apenas menos mau nos efeitos porque o outro é um completo Tó Zero. Rogo-lhe por isso que diga de uma vez por todas o que o faz achar ser liberal. Eu, que o sou, em si não acho nada.

Quando falo da China...

... digo sempre que é uma nação com pés de barro, como a estátua do sonho de Daniel. Sempre me retorquiram que os chineses vão dominar o mundo, que eles é que estão bem. Digo, redigo, afirmo e reafirmo que a China se vai esfrangalhar ainda no decurso da minha vida, e talvez mesmo não assista incólume ao fim desta década.

Desta vez tenho um aliado insuspeito na minha argumentação: o jornal Pravda, sim, o Pravda! Um acutilante artigo de Anastácia Garina (sei lá quem é a senhora, mas tenho de citar o nome) diz tudo na última frase: "В китайской экономике начался процесс коррекции.", ou traduzindo para os nossos não russófonos, «A economia chinesa iniciou o processo de correção».

Eu sei bem que há americanos que andam a dizer isso desde há mais de dois anos. Ao que parece, existe um crime capital neste mundo que é ter nascido americano. Um americano, aqui pela Europa, apenas se porta bem quando vota no Obama, mesmo que esteja a dar um tiro no pé e a comprometer o futuro dos Estados Unidos e por arrasto da Europa. Uma vez que o Obama tome o poder (e tomou, por ou pelo menos com fraude confirmadíssima!), os Estados Unidos, mesmo sob Obama, serão outra vez os maus de qualquer fita. Russos, contudo, no ainda socialíssimo e anti-americaníssimo Pravda, juntam-se às vozes dos primeiros.

Afinal o mesmo artigo andava por lá em inglês.

Da decadência

A decadência moral, a preguiça e a dívida são as raízes da nossa decadência. Quando bem mais de 50% da sociedade vive pendurada no Orçamento de Estado (nem todos são pensionistas que descontaram), preferindo muitos viver à custa dos rendimentos mínimos do que trabalhar para viver; quando outros preferem viagens a Punta Cana a ter de aturar filhos; quando professores são contratados para não dar aulas o Ocidente verá o seu fim como o Império Romano, por muito menos do que estamos a viver hoje, já viu.

No Ocidente estamos formatados pelo pensamento greco-romano, linear, e pela ideologia marxista, que aponta para um progresso inexorável e eterno. Faz sentido, pois ninguém em seu bom senso deixa uma tecnologia e um modelo de sociedade melhor por um menor. Contudo, a humanidade por vezes mostra pouco bom senso, e a disrupção dos circuitos económicos provocados pela catástrofe, pela guerra, ou pela peste, levam a que haja realmente retrocessos civilizacionais (não se tome por favor esta palavra naquela acepção que os ignorantes papagaios jornalistas andam, sem saber do que falam, a fazer dela destes dias). Na peugada do império de Roma aconteceu a Baixa Idade Média. O socialismo na Argentina trouxe a decadência a um país que no início do século XX rivalizava com os Estados Unidos. A Nigéria já foi auto-suficiente e exportadora de alimentos (depois descobriu-se petróleo). O Zimbabué era o celeiro de África.

A história prova-se cíclica, e as civilizações, à grande escala, tal como os indivíduos, têm um fim. Por vezes esse fim é a aglutinação em outras ordens (Babilónicos->Medos->Persas->Gregos->Partos). Por vezes é o simples resfolegar na lama, até que nova ordem apareça (Europa após o Império Romano). Na minha opinião, o egoísmo será a queda da Europa. Não há crianças que sustentem a Europa e das outras ordens ascendentes, digamos que no mínimo são muito pouco recomendáveis.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

De quem anda nestas coisas da manutenção industrial.

Peço a todos os que gostem da sua vida e da dos outros que sigam uma regra muito simples que estou sempre a ver desrespeitada:

Quando uma qualquer máquina estiver em manutenção, cobre-se o interruptor principal no quadro elétrico com várias camadas de fita-cola da grossa. Na fita cola escreve-se (ou num papel colado nela): EM MANUTENÇÃO. J. SILVA.

Deve constar lá, como vemos, o nome do técnico responsável, o único que pode tirar a fita cola ou mandar tirar. Quem quer ligar a máquina fala primeiro com o Silva (nome fictício). Muitas vezes as pessoas não sabem que a máquina está em manutenção e o técnico pode estar ausente ou, pior, invisível no meio da máquina.

Vi ainda hoje a regra, tão simples e tão útil, a ser desprezada numa máquina onde estava a fazer manutenção. Tive de a ensinar de novo. Salvem vidas. Divulguem.

Há vezes em que se não pode deixar de fazer um elogio

A polícia portuguesa (PSP, PJ e GNR sem distinção) é educada e profissional. É um motivo de orgulho para todos nós. Se abusadores há (e acaba por havê-los, como em todas as profissões) são espaçados por anos. Há que reconhecer que a imagem do polícia bruto e intolerante, uma besta quadrada em duas pernas, já morreu há mais de trinta anos atrás.

Quando ouço alguns espécimes que se assemelham fisicamente aos seres da espécie Homo Sapiens Sapiens javardar o comportamento das nossas polícias, apetece-me mandá-los para África, onde estive. Ou para a Coreia do Norte, Cuba, Venezuela e outros países onde a polícia é parte do aparelho de repressão. Nada disto, felizmente, encontramos em Portugal onde a polícia, se de algo pode ser acusada, é de excesso de contenção e de civilidade para quem não a merece.

Aos agentes e comandantes e soldados e investigadores e tantos outros que zelam pela nossa segurança e pela limpeza (a raiz da palavra italiana polizia) dos elementos perturbadores da nossa ordem social, estendo o meu sincero elogio.

(Em jeito de remoque, não posso estender este elogio aos nossos legisladores, aos nossos advogados e aos nossos juízes. Quando um caso como o de Isaltino de Morais consegue andar anos a fio sem nada de concreto, algo anda mal na justiça injusta da República Portuguesa.)