quarta-feira, 17 de abril de 2013

Saber fazer contas...

Os socialistas de coração grande e mente dúbia parecem muito alegrados com a notícia de que a Alemanha subiu a sua dívida para 81,9% do PIB em 2012. Esquecem-se de ver na mesma notícia que a Alemanha teve um excedente de 4 mil milhões de euros no mesmo período.

Ora, se a Alemanha tem excedente, não pode acumular dívida. A menos que...

... tenha pedido dinheiro para emprestar aos primos pródigos do Sul que andam às avessas com os credores.

Conclusões

A dívida alemã feita para emprestar a Portugal vai ser completamente saldada por nós, a menos que haja barbeiro. Assim que a dívida for saldada, a situação alemã estará melhor do que está hoje, via diferencial de juros. Na verdade, tomara eu que as razões para aumentar a nossa dívida fossem as mesmas que as da Alemanha.

Mais uma vez o óbvio sobressai: o problema foi sempre português. A formiga, tal como no conto de La Fontaine, está a ajudar a cigarra ex-socratina a passar o Inverno.

Os sete grandes milagres do socialismo

HOMEM: "Vejam lá quantos rebuçados vocês têm. Vou tirar-vos metade e dá-los às crianças demasiado preguiçosas para irem por si próprias festejar o Halloween."
CRIANÇAS: "Ora, bolas! Um democrata!"

Aqui estão os sete milagres do socialismo, na sua versão cubano-coreano-soviética:

  1. Não existe desemprego, mas ninguém trabalha.
  2. Ninguém trabalha, mas os planos quinquenais são cumpridos.
  3. Os planos cumprem-se, mas ninguém compra nada.
  4. Não há nada que comprar, mas lojas em cada bairro.
  5. Por todas as lojas há filas, mas estamos no meio da abundância.
  6. Estamos no meio da abundância, mas estamos insatisfeitos.
  7. Estamos insatisfeitos, e apesar disso as autoridades têm o apoio da população.

Já li esta anedota em russo e em espanhol. Ela foi criada no meio da União Soviética, não no capitalíssimo Ocidente. Por que razão estamos na Europa a repetir os erros que não geraram senão miséria, escravidão, grilhetas, incapacidade e tristeza geral?

terça-feira, 16 de abril de 2013

Sair do Euro? Iria ser bonito...

A saída do Euro anda aí a ser propalada como a panaceia para todas as doenças económicas que temos. Eu, que não sou economista (apesar de ter tido notas a Microeconomia e Macroeconomia maiores do que as da maioria dos economistas desta praça), não posso concordar com tal dislate. O Euro é precisamente o que nos manteve em pé até hoje. Se saíssemos do Euro neste momento, empobrecer deixaria de ser uma palavra a discutir; passaria a ser uma fatalidade ineludível.

Ora, façamos um pequeno exercício. Cerca de 1/4 do que nós compramos são produtos energéticos. Estes produtos (petróleo e eletricidade) são cruciais para o funcionamento da nossa economia moderna. São-nos comparativamente mais baratos hoje a importar porque temos por cá o euro. A esses produtos somam-se os 4 mil milhões de euros de saldo importador de produtos agrícolas e outro tanto de outros bens de primeira necessidade. Se tivéssemos o Cascudo, ou o Novo Escudo, desvalorizado 1/3, a gasolina, as cenouras e o sabonete seriam comparativamente vez e meia mais cara para cada um de nós.

Há também que ver quais são as nossas exportações. Portugal exporta o segundo par de sapatos mais caro do mundo, na peugada da Itália. Para o comprador, mais ou menos um euro no sapato não faz diferença. Se o comprador quisesse sapatos baratos, comprava-os na China, a cerca de 1/5 do sapato português. Esta indústria não tem muito a ganhar com o fim do Euro. Afinal, o produto produzido é de margem, e a utilização do euro dá segurança ao comprador e beneficia a imagem do país.

Finalmente, uma das colunas no cômputo das exportações que se tem mais destacado é a de máquinas e equipamentos, a qual vale, imagine-se, um terço das exportações portuguesas. O produto máquinas e equipamentos leva muitos ativos energéticos (calor, eletricidade) na sua fabricação. Os ganhos em mão de obra interna por haver uma moeda desvalorizada são residuais. E, mais uma vez, é um produto de margem elevada.

Não me consta que Portugal tenha perdido exportações por causa da moeda ser forte precisamente nestes setores, onde a qualidade se paga e a margem é atrativa. Porquê então sair do Euro e acabar com a balança comercial positiva que temos? Acha alguém mesmo que iremos como país exportar muitos mais pares de sapatos se os pusermos um euro ou dois mais baratos, por passarmos a usar internamente o Cascudo?

As vantagens ganhas por uma data se setores de atividade dependentes da procura interna (restauração, construção civil, banca e seguros, comércio e restauração) serão obviadas por:

  • o que teremos de pagar na bomba de gasolina e à companhia que nos fornecer os eletrões (33% a mais, comparativamente ao que nos custa hoje);
  • o aumento comparativo em 30% da nossa dívida, assumindo 3% de crescimento económico no primeiro ano;
  • o aumento de défice do Estado para 15% ou 20%, devido ao peso dos juros em euros contra a coleta em Cascudos;
  • a diminuição relativa de produto interno em relação ao estrangeiro.
Numa palavra, empobrecimento. Geral. Incontornável. Mascarado, é certo, sob a desvalorização cambial mas, não obstante, empobrecimento real.

Oito maneiras de reconhecer um mentiroso

Vá ao Largo do Rato, à sede dos socialistas. Olhe para Norte, Sul, Este, Oeste, Nordeste, Sudeste, Noroeste e Sudoeste.

Basta.

Da lei de limitação de mandatos autárquicos

Não consigo de modo algum estar de acordo com a famosa lei de limitação dos mandatos dos autarcas (a Lei nº 46/2005, de 29 de Agosto, a famosa lei «de/da»). Não me levem a mal, não é que deseje ver pessoas em cargos autárquicos que se iniciaram na Era Cretácea, e acho mesmo que a tal renovação de mandatos só melhora a democracia.

Contudo, para um tipo como eu, que vem da manutenção, existe um princípio que a tudo se sobrepõe: «equipamento que não falha não é mexido». De mim, que estou a pensar votar em branco nas próximas autárquicas na eleição para o presidente de câmara, e até defendo acerrimamente a limitação de quaisquer mandatos de deputados, de membros de governo («de» governo), pode-se pensar ser inconsistente. Não sou, e passo a explicar.

A diferença entre as duas eleições está na presença de movimentos independentes. Os membros dos movimentos independentes não são listados em partidos. Não têm a ascensão às listas sujeita à sua capacidade de manterem as suas mucosas orais junto do orifício anal de um qualquer oficial de partido. Não têm senão de se organizar, de apresentar a sua mensagem e de ser escolhidos pelos eleitores.

Lembro-me do que vociferaram os alistados em partidos pela hecatombe que seria a possibilidade de movimentos independentes concorrerem nas eleições locais. A hecatombe não veio, e há freguesias e municípios governados por tais movimentos. Ao contrário das disciplinas partidárias e mesmo trans-partidárias, os movimentos independentes não devem aliança senão a si próprios e aos seus eleitores. Por mim, os autarcas podiam ficar por mais de dez mandatos, se a vontade dos seus constituintes assim o desejar. Os autarcas vão a votos, são julgados, são conhecidos. E, com a possibilidade de qualquer cidadão, ou grupo de cidadãos, de formar uma lista e concorrer às eleições sem se ter de aliar às cartilhas existentes, não há razão para que o voto dos munícipes seja desconsiderado.

Por conseguinte, nas eleições autárquicas, o povo deve ser soberano. Se achar por bem lixar-se com um determinado presidente de câmara por muitos anos, pois que se vá lixar!